sábado, 24 de janeiro de 2009


Estudantes com gabão
O gabão, vareiro ou varino, é uma veste masculina amplamente usada na Europa desde a Idade Média. No século XVI era envergado por letrados ibéricos e em cerimónias fúnebres, com o longo capuz deitado pela cabeça.
Em Portugal, o gabão comprido, munido de mangas, romeira e capuz, usou-se em quase toda a faixa altlântica até depois da Grande Guerra de 1914-1918. Nas comunidades piscatórias da Póvoa de Varzim, Aveiro, Ílhavo e Nazaré, apresentava pequenas variantes, sendo habitualmente confeccionado com panos de lã castanha. Versões mais ricas, em lã preta, com pespontos e alamares, ocorriam na Murtosa, Aveiro, Coimbra e Lisboa.
Nos inícios do século XX, os "gabões de Aveiro" eram confeccionados em série pela Casa das Tesouras, localizada nos números 51 a 55 da Rua da Escola Politécnica em Lisboa, conforme anunciava um bilhete postal ilustrado da época (Cf. "A publicidade em Portugal através do bilhete postal ilustrado", Ecosoluções, 1998, p. 56). Foi com um gabão ou varino típico da Beira Litoral, veste apenas acessível a pessoas de posses, que um dos regicidas investiu sobre a família real em Fevereiro de 1908.
Diversas acções culturais foram desencadeadas desde finais do século XX para revitalizar o gabão:
a) adopção como traje académico unissexo pelos alunos da Universidade de Aveiro, em preto, que o usam sobre fato civil de tipo high school;
b) adopção como traje institucional de grupos vocacionados para o estudo, consumo e divulgação da gastronomia regional portuguesa: Confraria Gastronómica de São Gonçalo (Aveiro, castanho), Confraria Gastronómica do Bacalhau (Ílhavo), Confraria dos Gastrónomos do Minho, Confraria O Moliceiro (Murtosa, em preto), e Confraria dos Nabos e Companhia (Carapelhos);
c) reconstituição, divulgação e musealização por diversos grupos folclóricos activos na Póvoa de Varzim, Murtosa, Aveiro, Ílhavo, Águeda, Coimbra e Nazaré.
Imagem extraída do endereço http://conselhosalgado.web.ua.pt/salina4htm.

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