sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


Cortejo dos cónegos da Catedral de Santiago de Compostela, com percurso entre a Biblioteca e a Sala do Capítulo, para efeitos de investidura de novos cónegos (27.06.2009).
Há que assumi-lo, o cerimonial catedralício apresenta diversos momentos comuns ao cerimonial académico das universidades históricas. O cortejo público, festivo e celebrativo, assemelha-se a uma dança ritual que visa comunicar um evento e operar uma cesura entre o antes e o depois. Mantidos nas universidades britânicas e na Univ. de Coimbra, os cortejos públicos foram banidos da cultura europeia continental pela Revolução Francesa e pelo estilo de vida burguês. O último desconfiou deste tipo de eventos e procurou estigmatizá-los como momentos de desperdício que prejudicariam a produtividade da econonomia liberal-capitalista. Ironia do destino, o neoliberalismo viria a integrar na sua identidade os actos celebrativos e a consagração pública dos líderes através de cerimónias mediáticas de outorga de troféus e prémios monetários.
Presente nas cidades-estado do Mediterrâneo, na Grécia clássica, nos triunfos militares romanos, nas procissões religiosas e nas entradas régias, o cortejo público tem sido mantido nos regimes republicanos (visitas de chefes de estado), nas paradas militares dos regimes autoritários e em eventos desportivos como os jogos Olímpicos. Na Europa continental, após o longo confinamento intra-muros das universidades históricas, parece vislumbrar-se um desejo de regresso à praça pública, seguindo a tendência evidenciada pelos encontros internacionais de tunas académicas e confrarias gastronómico-vinícolas. A título de exemplo, muito recentemente, a Universidade de Alcalá realizou um cortejo público evocativo da fundação dos estudos superiores em Alcalá de Henares.

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