sábado, 6 de fevereiro de 2010

Nestas gravuras, realizadas pelo artista francês Jean Debret no Brasil durante os anos de presença de D. João VI, fica registada a famosa "charanga dos pretos" que na procissão do Corpo de Deus de Lisboa tocava na frente da estátua montada de São Jorge. O desenho das librés é muito expressivo, tendo sido registado mais tarde no "Álbum das Glórias" (1888) e em fotos de Benoliel. Segundo rezam as crónicas, esta charanga teria sido instituída por D. João I.
O que aqui se vê e infere é que a charanga tinha uma composição e indumentária semelhantes à charamelas que se davam a ver nas solenidades da Casa Papal, Casa Real Britânica, Casa Real Portuguesa, Universidade de Coimbra e universidades italianas.
Na actualidade poucas charamelas restam em actividade. Com interesse digno de registo, tenho notícia das formações activas na Universidade de Coimbra, Universidade de Salamanca e Casa Real Britânica. A de Salamanca esteve inactiva durante o século XIX e na maior parte do século XX, tendo sido revitalizada há poucos anos com presença efectiva de charamelas. Em Coimbra, a Charamela não tem uma única charamela no conjunto dos instrumenos de sopro.
Da Charamela da Universidade de Coimbra se escreveram muitos juizos primários, enfantizando aspectos como a desafinação e o arcaismo, ou mesmo propondo a sua abolição e substituição por grupos corais. A Charamela conimbricense, embora não use a antiga libré, nem aplique bandeiras nos instrumentos, é uma relíquia do igualmente precioso património cerimonialístico que não se sabe bem como conseguiu sobreviver a todos os abolicionismos.
Ainda bem!

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