domingo, 15 de agosto de 2010

Presença da Colecção de Chapelaria Religiosa Philippi na Wikipedia

Mr. Dieter Philippi acaba de divulgar na wikipedia a sua colecção privada de chapelaria religiosa. Com sede na Alemanha, a colecção abrange as principais religiões do mundo, bem como manifestações religiosas com menor número de seguidores e ainda amostragens de espécimes académicos.
Desde 2007 que temos vindo a manter contactos com o coleccionador e a divulgar a sua obra em língua portuguesa. Acedendo ao convite de Mr. Philippi, a tradução dos textos e respectiva revisão científica dos termos técnicos para a versão portuguesa da wikipedia esteve a nosso cargo.
Para bem dos cidadãos, turistas e comunidade escolar, a museologia já não é o que foi, pese embora o facto de muitos museus públicos e privados continuarem agarrados física e intelectualmente ao paradigma da idade clássica. Pior ainda, expressivas e muito ricas colecções de museus universitários nem sequer estão acessíveis, violando tudo aquilo que deveria ser a museologia em termos de comunicação aos cidadãos e prestação de serviços educativos.
Pormenor a não perder de vista, muitos dos museus existentes não puderam ou não quiseram implementar políticas de salvaguarda de bens que do ponto de vista dos seus órgãos de direcção não eram considerados portadores de valor cultural. Estes buracos negros museológicos foram dando origem a pequenos museus e colecções particulares que confirmam a estreiteza de visão dos museus da idade clássica e o divórcio entre estes e os seus potenciais públicos.
Inscreve-se neste exemplo, a escassez de políticas museológicas vocacionadas para o património textil-uniformológico e para a história das coberturas de cabeça. Veja-se o exemplo dos chamados museus de arte sacra da idade clássica, em geral vocacionados para a custódia, restauro e exibição de alfaias de aparato, escultura sacra, pintura e paramentos bordados. Ou seja, estruturas assentes na ideia romântica de tesouros, raridades. Em vão se procurará nos museus de arte sacra exemplares completos de enxovais eclesiásticos, chapelaria religiosa ou vestes de dignitários.
Não se pode dizer que a situação não seja preocupante, pois a simplificação da indumentária religiosa católica autorizada pelo Papa Paulo VI em 1969 não foi acompanhada por acções de musealização de espécimes hoje definitivamente desaparecidos.
Será aceitável que um estudioso português, espanhol ou francês tenha como único recurso deslocar-se às alfaitarias de Roma para estudar com um mínimo de rigor espécimes que não foram musealizados e cuja técnica de confecção se perdeu?
Versão em língua inglesa, desde 5.08.2010, http://en.wikipedia.org/wiki/the_Philippi_Collection;
Versão em língua francesa, desde 9.08.2010, http://fr.wikipedia.org/wiki/La_Collection_Philippi;
Versão em língua espanhola, desde 11.08.2010, http://es.wikipedia.org/wiki/La_colecci%C3%B3n_Philippi;
Versão em língua portuguesa, desde 13.08.2010, http://pt.wikipedia.org/wiki/Coleci%C3%A7%C3%_Philippi.

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