sábado, 9 de julho de 2011





A Raposa



Dos animais que Minerva tem em Coimbra, a Raposa é dos mais célebres e temidos. Simboliza o insucesso escolar, o chumbo às canelas nos actos. Nos liceus portugueses era conhecida por bicha, zorra e gata, sendo julgada e enterrada no final do ano escolar para afastar o azar.



Neste mimoso azulejo, assente na base da torre da Universidade de Coimbra, podemos observar a superfície raspada pelos pontapés que sucessivas gerações de novos doutores lhe foram desferindo. A tradição era [ainda é?] a seguinte: quando um novo doutor tomava capelo, após a imposição da borla e capelo vinha pontapear a raposa. Caso não o fizesse, acreditava-se que a carreira académica poderia correr mal.



Relativamente aos animais potenciadores de sucesso e de azar, os estudantes de Coimbra oscilavam entre a Raposa e o Urso. Melhor dizendo, dois ursos. O Urso Maior simbolizava o marrão dos marrões, o estudante premiado e louvado com notas máximas (nível excelente), em cuja cabeça se começava a vistar o brilho dos louros de Minerva. O Urso Menor, respeitava ao estudante com notas de nível bom. O estudante que acabava o ano com as canelas mordidas pela Raposa era o rei dos boémios. E aqui, entre os chumbados havia distinções. O chumbado porque queria chumbar, não lhe faltando capacidades. E o Burro, ou doutor carregado de livros, que chumbava por míngua de capacidades, mas que aos olhos dos calouros era doutor como os demais pois que "a capa tudo tapa" e "quem tem capa sempre escapa".

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