domingo, 28 de agosto de 2011

Estudantina Universitaria de la Universidad Central de Venezuela (Caracas)
Agremiação fundada em 1959, composta por elementos masculinos e femininos. Os tunos envergam fato civil escuro de duas peças (calças compridas e casaco curto) e acessórios (sapatos pretos, camisa branca, gravata multicolor). As tunas vestem habitualmente tailleur azul-escuro (saia-casaco), completado por blusa branca de folho disposto em torno do decote, meias altas cor de pele e sapatos escuros de pele (tipo uniforme militar/ou policial). Ambos usam cabeça descoberta e não se notam sinais de capa ou capote.
Este tipo de uniforme entronca na tradição vestimentária ocidental civil urbana. Por um lado, o fato civil masculino de tipo executivo/político/administrador normalizado a partir da Grande Guerra de 1914-1918, que é considerado um uniforme civil pelos funcionários públicos, empresários e homens de negócios. As cores prodominantes são o preto, o cinzento e o azul-escuro. Os tecidos são lisos. Por outro, o conjunto saia-casaco popularizado durante a Grande Guerra de 1914-1918 pelas enfermeiras militares e rapidamente apropriado pela sociedade civil e pelas companhias de aviação civil (comissárias de bordo, hospedeiras, aeromoças).
Em Portugal, entre ca. 1915-1945 o fato-saia funcionou como um uniforme do tipo high school, tendo sido consagrado no diploma do Ministério da Instrução Pública de 1924 que declarou a capa e batina traje nacional dos estudantes do secundário e do superior. O referido decreto não descreve o tailleur nem publica em anexo desenhos explicitadores. É aliás um mau diploma, no que concerne ao teor do texto. Fala em traje quando na verdade legisla sobre dois trajes distintos, um masculino (sobrecasaca, calças, colete, capa, gorro) e outro feminino (saia, casaco, capa, gorro).
O mínimo que se pode dizer é que se trata de uma solução à portuguesa, discutível. A solução anglo-saxónica, radicada no traje unissexo, além de mais conseguida, resolve a montante problemas correlacionados com cerimónias de formatura que agora se começam a colocar por força dos novos cenários de concorrência entre instituições de ensino superior e disputa de lugares no escasso mercado de trabalho.
A solução vestimentária patenteada pela EUUCV não parece assim muito distante de novos trajes académicos e de tuna(s) adoptados oficialmente nos últimos 20 anos em Portugal, que explicitamente rejeitam a antiga matriz universitária, assumindo raizes algo difusas. As influências poderão apontar para uniformes high school de colégios privados (caso do kilt, com forte presença nas escolas da Grã-Bretanha, do Japão e da Coreia), peças próximas da realidade tauromáquica, escolas de equitação ou escolas de agricultura (jaquetas, chapéus Mazantini, caso das agrárias de Coimbra e Santarém, e do ISPTomar), indumentária nobiliárquica (chapeirões à Infante D. Henrique, na UAlgarve, em Viseu, comuns à Confraria do Vinho do Porto; traje do tricórnio na UMinho), recuperação de peças etnográficas (Gabão na UAveiro, Capote alentejano nos estabelecimentos superiores de Portalegre e Beja, chapéus masculinos domingueiros de feltro no ISPViseu e na UBInterior), com passagem pelos uniformes femininos ("hostess air uniforms") que as companhias de aviação civil adoptaram nas décadas de 1960-1970 (casaquinho escuro justo, degolado e abotoado na frente à maneira das vendeuses das lojas comerciais parisienses; froca de carcela fechada como ainda hoje se vê nas assistentes de bordo da Air France e de algumas companhias da India e dos Emirados Árabes Unidos; saia curta, a tender para o mini, justinha).
O fim das grandes metanarrativas políticas e estéticas, espécie de replicação laica do monotéismo, abriu caminho a surpreendentes propostas policulturais de recriação/invenção de trajes académicos que já não pretendem afirmar as respectivas identidades corporativas por via de qualquer parecença com a Universidade de Coimbra. Pluralismo, multiculturalismo, tribalismo urbano, diferença, estilo individualizado, eis a linguagem que se afirma e ganha território com o pósmodernismo. O processo de invenção vestimentária, cujo tempo forte coincidiu com a década de 1990, terá entrado em ciclo de estabilização. A última criação conhecida foi o "traje à maioral", apresentado pela Estudantina Académica de Castelo Branco em 17 de Novembro de 2007 como traje de tuna para elementos do ISPCB (cf. http://palcoprincipal.sapo.pt/estudantinacb/blog; http://estudantinacb.webnod.com.pt/um-pouco-de-historia-/o-nosso-traje/).
Fonte: http://estudiantina-ucv.blogspot.com/search/label/Estudiantina%20OUCV.
Citar: NUNES, A. M. - Estudiantina Universitaria de la Universidad Central de Venezuela, http://virtualandmemories.blogspot.cpm/ (28.8.2011).

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