terça-feira, 15 de novembro de 2011

Aspecto da chamada chamarra italiana (samarra, zimarre, simar), uma veste de grande ostentação que se populariza na Roma de meados do século XIX e rapidamente corre mundo. O Papa Pio IX gostava do feito da chamarra e usou frequentemente uma em branco integral.
Como definir esta veste talar que hoje em dia aparece abusivamente referida como "batina" na maior parte dos dicionários e sites? Não é uma sotaina, túnica singela que, como o próprio nome indica, era uma veste interna que se trazia sob a opa, chamarra ou garnacha, conhecendo-se 3 variantes: sotaina çarrada ou de enfiar pela cabeça, podendo ter curta carcela rasgada entre o pescoço e o peito, ou apertar e alargar nas costas com cordões; a sotaina de carcela vertical frontal, vulgarizada nas togas judiciárias/académicas e na batina ordinária; a sotaina de fechamente dianteiro assertoado, como nas batinas anglicanas, gregas, russas, e na antiga veste interna da beca de desembargador. Não tem causa roçagante. A manga é sempre de grande ostentação, com canhão ornado de 5 botões forrados e sobremanha cosida na costura do ombro. Comporta colarinho raso. Incorpora romeira forrada, fendida na frente. Aperta com cinto de seda, tendo sempre as italianas cordões fixados entre a axila e a cintura para sustentar a dita faixa. Da batina ordinária recicla o saio de três machos posteriores. A carcela é habitualmente dupla, com caseado falso e botõezinhos bordados ou forrados.
Éra considerada veste de arruar. O Papa Pio IX autorizou o seu uso nas audiências solenes. O seu uso era proibido nos templos durante o exercício de funções públicas, considerando os mais puristas que nunca se deveria envergar com sobrepeliz, roquete, mantelete ou murça.
O tecido mais comum é a lã preta, forrada e avivada na cor da dignidade (escarlate para cardeais, tom róseo para arcebispos e bispos, etc.). O modelo preto integral leva uma orla no rebordo da cercela, colarinho e punhos. Os pespontos também são na cor da dignidade do portador. A chamarra adoptada pelos papas é no branco integral dos dominicanos, de cetim no verão e em seda no inverno.
Quanto à designação vulgarizada, para mim que ando a partir pedra da pedreira vai para mais de vinte anos, uma chamarra não é uma veste talar de um corpo. Mas pronto, o que está, está...

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