domingo, 15 de abril de 2012

Retrato de D. Francisco Silva

Retrato de corpo inteiro de D. Francisco Ferreira da Silva, bispo de Siene e novo prelado de Moçambique (1905)
Veste hábito talar coral em seda rósea, composto por batina talar de cauda roçagante (a cauda podia ser repuxada para o braço esquerdo, levada por um camareiro ou levantada e fixada na linha da cintura com um botãozinho forrado/bordado), roquete profusamente guarnecido de rendas na fralda e nas bocamangas (munido de mangas estreitas, vestia-se pela cabeça, tendo pequena carcela até meio do peito), mantelette (o mantelete, forrado de cetim e sem mangas, é aberto na frente, ao contrário do espanhol que tinha/tem uma carcela. Replicava o mesmo feitio da chamarra, mas a bainha era alinhada um pouco abaixo da cintura), murça. Nos acessórios vemos cinta de seda à romana com borlas de franja rica (florões de passamanaria), cordão peitoral, volta branca e o chapéu pontifical preto, de copa alta e abas ligeiramente reviradas, sendo o cordão de borlas em seda verde. Este chapéu, que nos séculos XVI-XVIII era integralmente verde em certas dioceses ibéricas e latino-americanas, configura uma espécie de meio termo entre os chapéus em moda no século XIX (o tricórnio de feltro e a canoa de abas reviradas com as famosas presilhas a ligar aba e copa), e o ulterior capello romano com a sua abinha curta a lembrar o anel de Saturno. O seu uso prolongou-se nos clérigos mais idosos até à década de 1970. Tem uns ares de chapéu de coco (dito melão) mas em bom rigor não é um coco.
Fonte: O Occidente n.º 955, de 10.7.1905

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