segunda-feira, 2 de julho de 2012

Chapéu pontifical de arcebispo

Chapéu pontifical de arcebispo, forrado de seda verde com mistura de fios de ouro e jogo de 20 borlas pendentes (Calabria, 2.º quartel do século XX).

O meu bom amigo e correspondente Dieter Philippi alertou-me em boa hora para a existência da fotografia deste magnífico exemplar no sítio do Museo Diocesano di Reggio Calabria Mons. Aurelio Sorrentino,

http://www.museodiocesanoreggiocalabria.it/en/catalogo-opere-qil-vescovo-sponsus-ecclesiaeq, peça entretanto comunicada pelo próprio colecionador Dieter Philippi no seu blog em 28.6.2012,
 
Não obstante seguir de perto a morfologia do chamado capello romano, quando em bom rigor deveria adotar o formato do galero cardinalício, estamos em presença de uma raridade. Trata-se do chapéu pontifical próprio para arcebispo. Diferentemente do chapéu dos bispos que apenas admitia seda verde, o chapéu pontifical dos arcebispos e dos patriarcas pedia sede verde e fios de ouro, tradição que também vemos praticada no antigo barrete doutoral da Universidade de Zaragoza. Anteriormente ao século XIX a rubrica romana de grande rigor exigia que a copa do chapéu fosse em seda preta e a aba e as borlas em seda verde, regra que no século XIX poucos prelados seguiriam, optando pelo verde integral.
Trata-se de um chapéu heráldico, que ainda hoje é figurado nos brasões de armas dos prelados (embora esteja caído em desuso como peça de enxoval), e de jurisdição. Em bom rigor, o chapéu pontifical deveria ser usado pelos prelados no interior das fronteiras da sua diocese:
 
a) quando o prelado entrava solenemente na sua diocese, dirigindo-se à catedral para ser recebido pelo cabido e tomar posse;
b) quando o prelado saía do paço e se dirigia à catedral em dias festivos e de grande gala;
c) quando o prelado visitava as paróquias da sua diocese.
 
Além dos casos refereridos, o galero pontifical era ainda exibido nas seguintes situações:
 
i) durante o velório do prelado, sendo colocado aos pés do esquife;
ii) atrás do féretro, durante o cortejo fúnebre do prelado;
iii) suspenso sobre o mausoléu do prelado falecido.
 
Como se pode constatar, as regras de uso cerimonial e jurisdicional do galero pontifical eram muito semelhantes às prescritas para o galero cardinalício. Enquanto vivo, um prelado deveria usar o seu chapéu pontifical sobre o capuz da capa magna (capuz deitado pela cabeça), com as borlas lançadas para a frente. O transporte do galero em cortejo festivo ou fúnebre competia preferencialmente a um oficial maior designado decano.
O galero dos arcebispos, patriarcas e bispos não era imposto, ao contrário do galero dos cardeais que tinha funções de coroa.
Com o mesmo feitio do galero dos cardeais, arcebispos, patriarcas e bispos, havia duas outras subtipologias menos conhecidas. Uma delas era o chapéu preto dos protonários apostólicos, com cordões e borlas em rosa forte. Outra era o chapéu semipontifical para protonários apostólicos das primeiras três classes, incluindo os mestres de cerimónias do palácio apostólico que era pretos e orlados de púrpura.

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