domingo, 24 de fevereiro de 2013

Ato de formatura de Belgrano em Salamanca (1786)

Ato de formatura/graduação em Leis pela Universidade de Salamanca de Manuel Belgrano em 1786. Belgrano (1770-1820) foi um advogado, político, militar e economista ligado ao processo de independência da Argentina. É representado neste quadro a óleo por Rafael del Villar (1873-1952), em 1947, numa evocação do 1.º centenário da independência da Argentina. O quadro está depositado no Complejo Museografico Enrique Udaondo.
Qual o grau de fiabilidadade desta reconstituição? Muito pouca. Villar desconhecia o cerimonial salmantino, pois se o conhecesse não poderia ter idealizado a recriação fantasista de 1947. Em finais do século XVIII os atos de formatura, tal como acontecia em Coimbra, eram atos parvos, quero dizer, de pequeno cerimonial, que tinham lugar no claustro de cada faculdade.
Primeiro erro, se o ato é da Faculdade de Leis, os doutores examinandos teriam de ter insígnias de Leis, a menos que fossem graduados por mais de uma ciência. Aí sim, haveria lugar a mistura de cores, o que não se verifica na recriação (ex: verde de Cânones e vermelho de Leis; vermelho de Leis e azul de Artes Liberais; verde de Cânones e branco de Teologia). Segundo erro, a morfologia das insígnias era barroca, tendo os barretes franjas laureadas e florões, ornatos omissos na recriação. Terceiro erro, o grau não era colado com os arguentes sentados numa mesa nem com o decano da Faculdade de pé, pois que cada formando tinha de ajoelhar numa almofada para proferir o juramento e receber as insígnias, após o que ascendia à cátedra e discursava. Quarto erro, na posição em que está, com um pé no paraninfo, Belgrano teria de estar obrigatoriamente ajoelhado, pois a chamada em voz alta pelo bedel ou pelo secretário já tinha sido feita. Quinto erro, nesta data os formados colavam o grau com hábito talar, que só foi abolido em 1834.

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