sábado, 16 de fevereiro de 2013

Estudantes do Liceu de Évora com Florbela Espanca (1917)

Grupo de estudantes finalistas do Liceu de Évora, dois alunos de capa e batina, um aluno com farda militar, três alunas com no novo traje académico de capa e tailleur preto criado em 1914-1915. Esta fotografia vem publicada por Rui Guedes, Fotobiografia [de] Florbela Espanca. Lisboa: Dom Quixote, 1999, p. 107, com identificação dos seguintes elementos: (esquerda para a direita) Francisco da Cunha Marques, Alice Mendes de Morais Sarmento, Florbela Espanca, Lídia Amélia Nogueira, José Rodrigues Candeias, Joaquim da Cruz Margalho. Florbela evocou o seu tempo de estudante no poema "Colegas do passado/Em vossas capas belas/Agoniza o luar das minhas ilusões (...)".
A fotografia foi tirada em 1917 e deve ser uma das raras que mostra o traje académico feminino na sua formulação primitiva: casaquinho feminino de três quartos, cintado, saia de funil pela meia perna, sapatos pretos, blusa branca, ausência de gravata. Esta fotografia não vem referenciada por Adília Zacarias e Isilda Mendes, Tuna académica do Liceu de Évora. 100 anos. História e tradições. 2012, nas páginas dedicadas ao traje académico (32-39). Na página 36, escreve-se "Não temos, até à década de [19]30, fotografias em que estejam alunas do Liceu trajadas".
O que a fotografia supra vem demonstrar é que o traje feminino rapidamente se divulgou a partir dos liceus de Lisboa e do Porto aos restantes liceus (1914 e ss.), traduzindo a força de um movimento espontâneo que passou completamente ao lado dos ministros da Instrução Pública e dos reitores dos liceus. Quando o Ministério da Instrução/Educação decide regulamentar o traje estudantil, versão feminina, fá-lo tardiamente, em 1924, e em artigos péssimos que revelam completo desconhecimento da função, importância, características e morfologia dos trajes corporativos.
Não vemos coberturas de cabeça nesta imagem, mas sabemos que o acessório mais usado nestes anos nos liceus de Lisboa e de Évora foi o tachinho ou barretina de pano preto, igual ao dos alunos do Colégio Militar, que tanto foi usado por alunos como por alunas. Por último, saliente-se que o processo de criação deste traje liceal (em meados da década de 1940 passará a universitário graças ao Orfeão da UP, quando o seu uso já estava generalizado na maior parte dos liceus portugueses) está perfeitamente inserido no contexto ocidental da época, coincidindo com as fardas desenhadas expressamente para as mulheres que exerceram tarefas colaborativas nas forças militares dos USA, Canadá, Grã-Bretanha e França durante a Grande Guerra (carteiro, enfermeira, condutora de ambulância, Cruz-Vermelha).

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