sábado, 16 de fevereiro de 2013

Porto, janeiro de 1917, festa realizada no Palácio da Bolsa a favor da Junta Patriótica do Norte. Crianças encenam um quadro vivo de Coimbra, com "tricanas e estudantes". Os figurantes apresentam-se de gorro e capa traçada por debaixo do braço direito, conforme o estilo predominante nas décadas de 1870-1880.
Fonte: Ilustração Portuguesa n.º 569, de 15.01.1917
Comentários:

1-no imaginário colectivo provincial a imagem do estudante de Coimbra ainda predominante parece não ter assimilado o novo visual adoptado após a implantação da República, postura algo estranha, pois a Academia de Coimbra mostrava-se com alguma frequência em digressões da TAUC, do Orfeon, postais ilustrados, capas ilustradas de partituras e fotografias publicadas em revistas mundanas;
2-o quadro é fantasioso, na medida em que tenta dar um ar de Coimbra, um certo parecer daquilo que na realidade não é. As figuras femininas exibem chapéus que não correspondem aos usados mais frequentemente pelas raparigas de Coimbra. Em 1917 este tipo de xaile já só era usado por camponesas das aldeias e mulheres dos concelhos limítrofes de Coimbra. A pretensão de juntar estudantes de capa e batina com tricanas é um fétiche desinformado de algumas elites urbanas que mistura trajes corporativos (não vou chamar farda à capa e batina) com trajes das gentes do povo.
Se o quadro pretendia aludir a costumes da década de 1880, como parece ser o caso, então aí estamos em total desacordo, pois os chapelinhos das meninas não correspondem ao que se usava na cidade. A emergente indústria do turísmo começa a produzir os primeiros objectos kitschs materializados em peças de colecionismo de gosto duvidoso como o postal ilustrado e esculturas em barro policromado.

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