sexta-feira, 22 de março de 2013

Retrato de corpo inteiro do bispo de Viseu, D. António Alves Martins, com traje de abatina ou hábito curto, década de 1860.
O prelado liberal enverga as peças do hábito curto convencional (sapatos pretos de verniz ornados de fivela de prata, meias de seda rosa, calções de alçapão, colete de carcela subida, cabeção, volta branca, sobrecasaca, cruz peitoral, solideo, meia capa e chapéu). Mas não deixa de introduzir nos acessórios expressivas subtilezas entroncáveis numa linha de progressismo que anunciavam o fim dos estados pontifícios, a unificação político-militar da Itália e o ambiente de insegurança e desconforto vivido na curia romana. Assim, enquanto a maioria dos bispos, arcebispos e cardeais romanos ainda vestia o hábito privado com a sobrecasaca fechada na frente e cobria a cabeça com o setecentista tricórnio preto de feltro, o prelado português exibe sobrecasaca desabotada à moda dos prelados constitucionais britânicos e substitui o tricórnio pelo saturno redondo dos padres franceses. Este chapelinho viria a predominar em toda a linha após o Vaticano I, bem como o casação talar à francesa), traduzindo assim o ambiente anticlerical e laicizador do século XIX.
Fonte: La Ilustración Española y Americana de 28.07.1870

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