domingo, 16 de junho de 2013

Reportagem sobre as festas da Queima das Fitas e Enterro do Grau [de bacharel] realizadas pelos estudantes da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra nos dias 31 de maio e 1 de junho de 1905.
O programa oficial, de cariz burlesco, cruzou números dos centenários comemorativos e das festas oficiais da corte com manifestações herdadas da tradição rural e local. As imagens documentam instituições e números que ainda hoje permanecem: a Charanga Lamoureaux, predecessora da Orxestra Pitghorica, inspirada nas charangas populares de carnaval; os gaiteiros, elemento imprescindível e ritual de animação das ruas e convocação à festa; o ritual da Queima das Fitas, no pavimento do Largo da Feira dos Estudantes. Nesta data, e confirmando os relatos de imprensa de 1894, os jornalistas voltam a falar em "tradicionais festas da queima das fitas".
A Queima das Fitas de 1905 apresentou um programa muito completo, com inclusão de atividades e números que demorariam cerca de trinta anos a impor-se de forma continuada: comissão organizadora; cartaz promocional ilustrado; livro de caricaturas dos quartanistas, monumento; banquete; queima das fitas; cortejo alegórico de viaturas; serenata fluvial no Mondego, tourada na praça da Mealhada, sarau. Nesta Queima das Fitas ainda seguiram incorporadas no cortejo alegórico a viatura fúnebre com o caixão e o coro das carpideiras, tradição vinda dos séculos anteriores, que nas décadas seguintes apenas vingaria em alguns liceus (caso do Enterro da Gata no Liceu de Braga).
Fonte: Ilustração Portuguesa n.º 83, de 5.6.1905; idem, n.º 84, de 12.6.1905

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