domingo, 13 de julho de 2014

O que vem a ser "hábito usual"?

No articulado dos documentos eclesiásticos e académicos dos séculos XVI, XVII e XVIII ocorre com frequência a expressão que se vista o hábito usual/que se vista o hábito costumeiro.
O que significa exatamente este tipo de disposição na linguagem consagrada pelos autores das constituições sinodais, estatutos universitários e regulamentos de seminários e colégios católicos?
-Em primeiro lugar, significa que o mais certo é estarmos a falar de pelo menos três vestes distintas que constituíam o enxoval do clérigo/estudante/docente;
-Em segundo lugar, significa que o traje talar abrange o conjunto de vestiduras exteriores, roupa interior e acessórios que seguem no essencial a moda costumeira na corte e aquela que era mais comummente exibida pelos elementos do clero e da nobreza de toga.
Isto clarificado, tire-se daqui a ideia de uma veste manufacturada como um uniforme, pois um enxoval eclesiástico ou académico integrava vestes próprias para verão e inverno e pelo menos três variantes adequadas aos contextos sociais, profissionais e cerimoniais.
Quais eram os modelos de veste talar habitual conformes com o usos?
a) o hábito talar doméstico, de andar por casa ou privado. Correspondia no fundo ao que hoje chamamos pijama e roupão. Era considerada falta de etiqueta receber convidados com indumentária privada;
b) o traje de passeio ou hábito de passeio, usado nas viagens e nas deslocações às vilas e cidades;
c) o hábito de cerimónia, admitido nas audiências e solenidades.

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