segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

«Estudante de Coimbra», litografia de João Macphail, datada de 1841
Traje corporativo dos estudantes da Universidade de Coimbra e do Liceu de Coimbra, gravura polícroma enquadrada num trecho do claustro inferior dos gerais.
Após a extinção das ordens religiosas (1834) e dos colégios universitários ligados a estas congregações, o polimorfismo dos trajes académicos usados em Coimbra foi substancialmente reduzido, tendo prevalecido o hábito talar negro masculino de tipo abatina, sem prejuízo do hábito romano que era usado por lentes e estudantes da Faculdade de Teologia.
À data da sua publicação (1841 e não 1844 como mencionei noutro estudo), esta gravura deu origem a protestos alimentados por estudantes simpatizantes dos ideais anticlericais e da laicização do ensino público. Na revista Literária, Vol. IX, 1842, um alvitrista anónimo "B", critica entre outros pormenores as "falsas casas da loba (...) são de chimarra de padre ou formigão" (=estudante seminarista), referindo ainda desencontros entre calças compridas e calções e o livro metido na mão em vez de debaixo do braço ou mesmo no gorro. O protesto do autor encerra algum desconhecimento, pois loba talar e abatina eram vestes morfologicamente muito distintas no corte e no sistema de fechamento. O traje de abatina já tinha sido usado em Portugal no Real Colégio dos Nobres (Lisboa), foi até 1851 o traje de cerimónia da corte pontifícia (em pano de seda, evidentemente) e era usado por pastores protestantes e prelados no mundo católico e anglicano.
Agradeço a João P. Baeta o envio de dados adicionais sobre este documento.

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