sábado, 21 de julho de 2012

Cortejo do doutoramento honoris causa do ex-Presidente do Brasil Lula da Silva (Coimbra: 30.3.2011)


João Vasconcelos Costa (JVC), [análise enviada em 2.5.2012. Inserem-se os respetivos comments]
 Estive a ver o vídeo do doutoramento honoris causa de Lula, na UC.
Mesmo Coimbra, hoje, tem falhas. Não há dúvida de que só os anglo-saxónicos é que têm interiorizado por inteiro o sentido do cerimonial. Repare nos momentos que indico a seguir.
AMN: o DHC do ex-Presidente do Brasil foi concedido pela Faculdade de Direito da UC em 30.3.2011. Trata-se de uma tradição académica entroncável nos chamados “doutoramentos políticos”. Estes começaram na Europa em 1918 quando o Presidente dos EUA Woodrow Wilson (1856-1924) se deslocou a Paris para assinar o armistício, tendo este estadista sido distinguido pela Sorbonne. Infelizmente ainda não consegui encontrar iconografia do DHC de Wilson.
Concordo com o que escreve. Cerimonial de rigor só nas universidades britânicas e não propriamente em todas. Na Suécia destaco Uppsala e Lund. Neste exercício também poderíamos listar as piores entre as piores seguindo os critérios americanos de pior filme, pior ator, figura mediática mais mal vestida do ano… ok, seria demasiado mau.
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JVC: A charamela apresenta-se de casaca, como me lembro de ser no meu tempo de Coimbra, mas sem colete, o que dá um ar rasca ao uso do traje nobre. Tocam o Canticorum Jubilo, de Händel, quando a tradição era do Hino académico de Coimbra (nunca consegui uma partitura ou um ficheiro mp3). Na ULHT, reservamos o Canticorum para as ocasiões de saudação ou de “parabéns”, por exemplo depois da imposição de insígnias doutorais. Foi para isso que ele foi composto. Convém, no cerimonial, saber um pouco de história da música, tão importante nessas ocasiões.

AMN: revela tino e siso a sua apreciação quanto às liberalidades avistadas no uso da casaca masculina civil, como é sabido uma veste associada no Ocidente a uma etiqueta extremamente rígida. Vendo mais de perto as imagens, a falta de rigor é extensível ao calçado que é vulgar.
A casaca preta civil é uma formulação muito recente na charamela. Nas décadas de 1980-1990 a charamela envergava uma libré em pano de lã azul ferrete, agaloada nas bocamangas e colarinhos, indo os tocadores com a cabeça descoberta. Era uma libré militar, inspirada no fardamento de formações musicais militares (nesses anos os charameleiros eram membros da banda militar de Coimbra, bem como o charameleiro regente que deveria levar como insígnia batuta armoriada e que afinal a não levava). Só o regente é que vestia casaca preta com as típicas asas de grilo ou pinguim (como se diz em Espanha), caminhando na frente dos charameleiros.
Não me conformo com nenhuma das soluções acima indicadas, por entender que a Casa Reitoral deveria reconstituir a antiga libré dos charameleiros à portuguesa, que é conforme com a que era usada na procissão do Corpo de Deus, e de que subsistem abundantes registos iconográficos. Devo ainda acrescentar três dados importantes sobre o assunto: a) nas solenidades em que participava a charamela, os instrumentos eram decorados com pendões e saios bordados com as insígnias institucionais, tradição que poderia ser mantida, tanto mais que a charamela só atua em contextos soleníssimos; b) não se conhece um único disco gravado pela charamela, omissão que a Casa Reitoral deveria ser a primeira a tentar colmatar mediante implementação de políticas culturais proactivas; c) finalmente temos notícia de uma tese de doutoramento em curso sobre a charamela graças ao interesse de um antigo regente.
O Hino Académico de Coimbra (1853: Do trabalho, na lide afanosa) está editado no Cancioneiro de Músicas Populares de César das Neves (1893-1899), digitalizado disponível na BN, http://purl.pt/742/1/, e acaba de sair solfa na obra de Alberto Ribeiro Soares, Pedro Marquês de Sousa e Manuel Ferreira da Costa, Hinos patrióticos e militares portugueses. Lisboa: Edição do Estado-Maior do Exército, 2010, pág. 85 [música do estudante açoriano José Cristiano de Medeiros, que foi regente da Orquestra do Teatro Académico de Coimbra e mais tarde professor no Liceu de Leiria; letra do futuro lente de Direito José Sanches da Gama]. Há ainda uma gravação instrumental bem feita pela Tuna Académica da Universidade de Coimbra (CD Orquestra da Tuna Académica da Universidade de Coimbra. Coimbra: Public-art 19301, 2001, faixa n.º 1)), pois é este Hino que deve ser tocado nas grandes solenidades da sala dos capelos e é com ele que se devem abrir os saraus académicos. No meu tempo, o Orfeon, o Coro Misto e o Coro da Capela da UC só interpretavam o Gaudeamus, que era apresentado como “o hino académico”. Trata-se de uma desinformação protocolar grave. Na Universidade de Coimbra o Gaudeamos não é hino oficial e viola grosseiramente a praxe que seja tocado em vez do Hino Académico de Coimbra. O Hino Académico de Coimbra é tocado habitualmente pela Tuna dos Antigos Tunos da Universidade de Coimbra, formação de antigos estudantes que durante anos foi a única a manter viva a tradição do Hino Académico de Coimbra.
Os cortejos académicos costumavam ser abertos com marchas festivas e desde meados do século XIX com o Hino Académico de Coimbra. A partir de 1980, os regentes da charamela começaram a tocar o Canticorum, uma escolha claramente desinformada. Como diz, e eu sufrago, o Canticorum está muito bem como peça celebrativa dos momentos de investidura/ostentação e como peça de apresentação de cumprimentos a altos dignitários que visitam a universidade.
Já que se fala do Gaudeamus, a primeira universidade portuguesa a adotar esta composição como hino institucional foi a Universidade de Lisboa, sendo reitor Marcello Caetano. Terá sido por alturas da inauguração dos novos edifícios da cidade universitária no ano lectivo de 1960-1961. Não possuo mais dados sobre este assunto, mas estarão ainda vivos professores com memória dessa cerimónia que deve ter decorrido na aula magna, com performance a cargo de grupo coral. Em Coimbra, na década de 1960, o Guadeamus era interpretado nas atuações do Coral das Letras, mas não como hino académico institucional.
Para rematar, e já que se fala de trajes pouco caprichados, diríamos que a veste institucional menos cuidada hoje em dia na UC é o traje de bedel, onde pululam combinatórias de causar susto cardíaco ao coração mais robusto.
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JVC: Os archeiros, muito bem. É difícil em universidades modernas convencer os membros do corpo de segurança a desfilarem assim.
AMN: em todo o caso, funcionários que integrem o cortejo podem usar fato preto civil. É francamente de evitar fardas de empresas privadas de vigilância. A cerimónia é da universidade que a organiza. As fardas das empresas de segurança privadas são desenhadas por indústrias do tipo pronto-a-vestir, equivalendo a modelos de trabalho em pano ordinário, como tal manifestamente inadequados a cenários festivos.
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JVC: Alguém se intromete no cortejo. Inadmissível.
AMN: o bom governo do cortejo é tanto mais agravado quanto só exista um mestre-de-cerimónias que, no caso de Coimbra, toma lugar obrigatoriamente em frente do reitor. Há maneiras eficazes de resolver isto. Nas procissões católicas, as igrejas, irmandades e confrarias costumavam colocar irmãos ajudantes do mestre-de-cerimónias a espaços ao longo do cortejo. Cada um levava a sua vara, entrava e saia do cortejo, adiantava-se uns passos e parava a marcha sempre que necessário. Vou pela tradição das festas do Espírito Santo dos Açores cujos imperadores entregavam a um irmão de sua confiança a vara do mestre-de-cerimónias (dita de enxota porcos), para governar o cortejo. Na casa real portuguesa, os cortejos e cerimónias eram governados pelo mordomo-mor que levava obrigatoriamente na mão a sua cana ou bastão, sendo este auxiliado pelo porteiro da cana e pelo mestre-sala.
A etiqueta académica ou praxe é simples, clara e rigorosa nas velhas universidades. Ninguém se intromete no cortejo e nenhuma corporação ou dignitário externo podem tomar lugar diante do reitor. Nas universidades mais recentes parece-me que esta norma já não é atendida, vendo-se diante do reitor e a seu lado membros do Legislativo e do Executivo e até de municípios e de empresas. O mesmo acontece em Espanha, onde os reitores são ladeados por presidentes de regiões autónomas e presidentes de câmaras municipais. Os espanhóis quebram a cabeça a discutir as presidências singulares e as presidências mistas, as mesas mistas (dignitários académicos e dignitários civis) e as presidências bicéfalas com duas mesas separadas (uma académica, outra civil). Embora sabendo que as universidades espanholas dependem economicamente dos orçamentos das regiões autónomas, manifesto total discordância relativamente à precedência que as universidades concedem aos presidentes das regiões autónomas. Não tenho a menor simpatia por duplas presidências, entendendo que apenas se deve abrir excepção no caso das universidades católicas (chanceler e reitor) e em momentos de visita oficial de altos dignitários da casa real (ex: rei e reitor).
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JVC: Aqui e em muitas outras ocasiões a seguir, uma coisa inadmissível nos velhos tempos. Ao lado de doutores com insígnias (capelo e “borla”) sobre o hábito talar, outros apenas com o simples hábito talar, que só se usa em atos não solenes. Na ULHT, está estritamente proibido. Ao menos, sobre trajes simples de outras universidades, obrigatoriamente o uso de medalha solene da ULHT.
AMN: em Coimbra e na maior parte das universidades clássicas espanholas, as insígnias doutorais são obrigatoriamente três: capelo, barrete (dito borla ou barrete laureado de borlas e não “chapéu”, penoso barbarismo que equivale e dizer “aquela coisada” ou algo bem pior) e anel doutoral. Isto de ir no cortejo em hábito talar sem insígnias não é tão simples quanto se possa pensar. Falando sempre do caso de Coimbra, lembro que entre 1840-1880 os professores do Liceu de Coimbra integravam todas as cerimónias académicas, cortejos incluídos, e os que não eram detentores de grau de doutor envergavam apenas batina e capa com luvas sem insígnias.
A regra cerimonialística diz que os doutores do claustro devem desfilar e estar com hábito e insígnias e que quem não tiver insígnias não se deve sentar nos doutorais da sala dos atos grandes.  
Quem autorizou exceção a esta velha regra foi o reitor António de Arruda Ferrer Correia a propósito da cerimónia de DHC do Presidente da RFA Karl Carstens. Quando este foi doutorado honoris causa em Direito, a 17.1.1980, o cerimonial académico estava suspenso desde 1973, quero dizer, não se faziam aberturas solenes do ano académico, não se faziam DHC, não se arguiam provas académicas com hábito, os novos doutorados tinham deixado de fazer imposição de insígnias.
A propósito do DHC de Karl Carstens o reitor despachou no sentido dos lentes do claustro já doutorados, mas que ainda não tinham feito imposição de insígnias, irem no cortejo e tomarem assento nos doutorais. Esta decisão abriu uma autêntica “guerra dos lentes” que se arrastou por toda a década de 1980 e teve um desfecho bem curioso num tempo em que os adeptos do uso da capa e batina eram flagelados dentro da sua própria universidade com mimos de fascista para baixo. Outro problema correlacionado tinha a ver com os doutores indigitados pelas faculdades para proferir os elogios dos DHC, tendo os reitores das décadas de 1980-1990 despachado no sentido de dizer que podiam proferir os elogios por terem tomado já capelo (mentirinha piedosa, pois alguns não tinham imposto insígnias coisa nenhuma!).
0:54 e 1:29
JVC: a UC adotou bicromatismo para Educação Física e para Economia, contra toda a tradição portuguesa (exceto, por razões conhecidas, a Matemática). Isto quando já havia o hábito estabelecido no INEF/ISEF/FMH do simples castanho para a Educação física e já há muitos anos se usava (por exemplo no Porto, ainda antes da criação da UP), como agora na ULHT, para Economia o carmim, como derivado, segundo o hábito universal da regra de derivação, do vermelho de Direito.
AMN: também não concordo com o bicromatismo que fatalmente se traduz em insígnias bolo de noiva ou bolo de chantili. No caso do vermelho e branco, a Faculdade de Economia de Coimbra (FEUC) seguiu a tradição adoptada na Faculdade de Economia da UP, fundada em 1953. Antes de 1974 verificava-se na FEUP a seguinte discrepância: a cor oficial era vermelho e branco; mas os estudantes usavam fitas em vermelho e branco enquanto os professores doutorados que usavam borla e capelo pelo modelo de Coimbra ostentavam não o tom vermelho e branco mas o carmim e o branco.
Esta divergência cromática saltou para Coimbra após 1974, cuja universidade se limitou a importar acriticamente as práticas estabelecidas no Porto [a FEUC foi fundada em 1972 e começou a funcionar em 1974, estando suspensa a prática das tradições académicas]. Em 1979-1980, com a retoma das tradições académicas, os estudantes da FEUC começam a usar fitas de seda em vermelho e branco (este vermelho é no mesmo tom de Direito) e também importaram do Porto o cifrão do Tio Patinhas (ali generalizado na década de 1950) como pseudo símbolo de Economia e Gestão quando o símbolo clássico é o caduceu de Hermes/Mercúrio (até as antigas escolas comerciais e industriais tinham este assunto muito bem resolvido, usando os seus estudantes emblemas e crachás metálicos com a roda dentada da Indústria e o capacete alado de Mercúrio).
Já os professores doutorados do quadro da FEUC só começam a usar borla e capelo na reta final da década de 1980 e quando o fazem as cores adotadas nas insígnias não são o vermelho e branco mas sim o carmim e branco. Veja-se a galeria fotográfica de DHC da FEUC que começa em 15.12.1989, http://www.uc.pt/feuc/apresentacao/honoris_causa, com Aristides Pereira. Neste mapeamento de informação não considero o DHC atribuído por todas as faculdades existentes em 15.5.1982 ao Papa João Paulo II, que só teve carta doutoral mas não teve insígnias, em minha opinião uma americanada com o cerimonial conimbricense nos antípodas dos seus dias de glória.
Houve nesses anos muita discussão no Senado entre Direito e Economia pois a aplicação do vermelho no selo de cada uma das faculdades ficava indistinto. Em síntese, temos na FEUC 3 cores: vermelho e branco, que é a cor oficialmente legítima, nos estudantes; carmim e branco, nos doutores membros do corpo docente.
O bicromatismo cria problemas de muito difícil resolução em Coimbra pois há nesta Universidade (tal como nas espanholas e latino-americanas) a tradição de se misturar nas insígnias todas as cores de obtenção dos graus e essas cores devem ser claramente distintas. Vejamos os seguintes casos: quem já for doutor em Direito, usando o vermelho, e vier a ser doutor em Economia, tendo direito a acrescentar o vermelho e branco, pela praxe só deveria adicionar o branco. Mas como Economia segue o carmim e não o vermelho, acrescentará ao vermelho-rubi de direito, o branco e o carmim. No caso de o primeiro doutoramento ser Economia e o segundo Ciências do Desporto, isto dará a bela mistura de carmim, branco, castanho e branco pérola. Uma bela salganhada!
Quanto a Cências do Desporto, consta que em Coimbra se pretendeu consagrar o verde, que já era a cor usada na Universidade do Porto (verde claro) e nas universidades espanholas desde 1944 (também se usa para Veterinária). Como a reitoria tinha reserva do verde esmeralda, e temendo-se confusão de cor, foi-se para o castanho e branco pérola. Mas mal, diga-se de passagem, pois poderia ter ficado um verde num tom distinto do verde esmeralda. Ou então haveria que ter atendido ao precedente configurado pela FMH da UTL, que segue o castanho (onde terão ido buscar esta cor?). Evidentemente que a opção pelo castanho teria de ser muito bem pensada num registo comparativo, pois não deve esquecer-se que o castanho é a cor oficial dos cursos ministrados pelas Escolas Técnicas de Arquitetura e Engenharia de Espanha, em conformidade com as disposições da Ordem Ministerial de 30.11.1967. Haveria ainda que estabelecer as devidas comparações com a cor oficial consagrada pela Faculdade Técnica/Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto em 1921 que não é um castanho puro, mas foge ligeiramente para o castanho. Na verdade, a “cor de tijolo” da FEUP anda entre o castanho e o bordeaux do tijolo empregue nas obras de construção civil.
Uma outra opção, a meu ver não suficientemente fundamentada, passa pelo Laranja de Psicologia que vingou após 1974 nas clássicas de Coimbra, Lisboa e Porto. Diz-se que por influência das escolas da Suiça e da Bélgica. Escusado será dizer que em Espanha se tinham consagrado em diploma de 4.8.1944 o cor-de-laranja para Ciências Económicas e Empresariais, enquanto que naquele país a cor de Psicologia é lilás.
Voltando a Economia: não está ainda apurado onde é que o Conselho Científico da FEUP foi buscar o vermelho e branco (ou melhor, o carmim e branco). Há quem diga e com boas razões que esta cor mista já era usada pelos estudantes do Instituto Comercial do Porto que na década de 1970 veio a dar o ISCAP e que foi do ICP que ela saltou para a FEUP. Uma coisa é certa, não se respeitou o disposto no Decreto de 6.2.1902, segundo o qual os lentes de Ciências Económicas e Sociais da Academia Politécnica do Porto deveriam usar nos alamares da toga a cor carmim. Lembre-se ainda que antes da criação da FEUP (1953) o vermelho orlado de branco já estava estabelecido como cor oficial do Instituto de Economia e Gestão da UTL (Portaria n.º 11.170, de 17.11.1945)
Perante tamanha salada russa haveria que estabelecer regras quanto às cores académicas, por exemplo através do CRUP, como fazem os espanhóis (Cf. Catálogo de orientaciones sobre el uso del traje académico y sus colores. Salamanca, 2010, http://catalogo_de_orientaciones_sobre_el_traje_academico_y_sus_colores_mayo_2010.pdf).
Seguidamente dou exemplo de algumas instituições que usaram ou ainda hoje usam duas cores distintivas (aproveitem-se as recolhas de Armando Luís de carvalho Homem, O traje dos lentes, 2007):
-na UC a Faculdade de Matemática, cor aprovada pelo marquês de Pombal na reforma de 1772 que instituí esta faculdade como escola maior autónoma. Era a cor distintiva das vestes de Urânia, daí a opção (o azul celeste do firmamento e o branco das nuvens). Quando em 1911 esta faculdade foi extinta e integrada como secção/departamento da Faculdade de Ciências Naturais, passaram a coexistir nesta escola as seguintes cores: azul claro para todos os ramos das ciências naturais, opção seguida em Lisboa, no Porto e no IST da UTL; azul claro e branco para Matemática e derivados;
-na Escola Médico-Cirúrgica do Porto, carmim e amarelo nas fitas pendentes das cartas de curso e nas fitas usadas pelos estudantes. Esta situação foi mantida transitoriamente na Faculdade de Medicina da UP, criada em 1911, pelo menos até ca. 1915-1916, tendo passado então ao monocratismo amarelo conforme tradição conimbricense e espanhola;
-na UC, caso da FEUC (carmim e branco) e na FCDEF (castanho forte e branco pérola);
-no ISCTE/IUL, para Gestão (verde e branco), além de outras ciências onde também se verifica o bicromatismo (ex: azul e verde para Ciências Sociais);
-na UCP, Faculdade de Ciências da Saúde, que no caso de Enfermagem junta ao amarelo de Medicina o branco; vermelho e branco (Ciências Económicas e Empresariais); tijolo e verde (Escola Superior de Biotecnologia); vermelho escuro e branco (IUDPS);
-na UP onde ocorrem vermelho e branco (FEUP), amarelo e azul forte (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar), amarelo e branco (Medicina Dentária), amarelo e verde (Nutricionismo).
A discussão sobre as cores a adoptar pelas novas escolas/departamentos/faculdades está longe de ser pacífica em Espanha. Relativamente a Portugal, onde as cores oficiais não são nem podem ser fruto de votação de estudantes avinhados num jantar de curso nem de um qualquer capricho de docentes, eu aconselharia que se começasse por fazer as seguintes perguntas que por si só estabelecem 3 critérios estruturantes:
a)      Já existe cor consagrada oficialmente nalguma universidade espanhola para ciência idêntica?
b)      Já existe cor consagrada oficialmente nalguma universidade portuguesa para ciência idêntica?
c)       Quais são as cores simbólicas associadas ao deus/musa tutelar desta área do saber na cultura clássica?
Resposta: seja qual for a decisão a tomar, deve-se evitar como primeira opção o bicromatismo que segundo a tradição académica é na sua essência reservado a misturar cores quando se é detentor de grau em mais do que uma ciência. Aliás, nos anéis doutorais com gema esta mistura é rigorosamente interdita, devendo usar-se somente a cor da primeira ciência em que se tomou grau.
1:48
JVC: Aquela senhora está a distribuir folhetos de propaganda no cortejo académico?
AMN: parece que sim. Seria alguma operação de marketing junto de potenciais empregadores, ou quiçá uma campanha de depilação gratuita?
2:22
JVC: Falta de compostura. Também noutros momentos, doutores que acham graça a trocar dichotes com a assistência.
AMN: nada como estudar os cortejos académicos nas universidades da Grã-Bretanha e da Suécia… influência do formato tele-galas?
3:53
JCV: O barrete (“borla”) é para ser usado na cabeça! Exceto o Lula, que só depois é que vai ser doutor.
AMN: é como diz e a praxe não admite exceção. Contudo, visualizando imagens de arquivo, vemos no DHC de António de Almeida Santos (9.12.2007) o director da Faculdade de Direito alegremente de barrete na mão, tanto na investidura como nos abraços ao claustro. A regra é que o cobrimento de cabeça segue sempre o reitor, isto é, os docentes cobrem-se e descobrem-se, sentam-se e levantam-se imitando os gestos do reitor. Quando nem assim acusam o toque, cabe ao mestre-de-cerimónias suspender o ato e informar o desinformado.
O que a praxe não autoriza é que um lente do claustro conimbricense, se detentor de insígnias, desfile de cabeça descoberta.

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