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sábado, 14 de abril de 2018



Manto de Malta

Mantilha em seda preta ou de pano escuro usada entre o século XVI e as décadas de 1940-1950 em Malta e em Gozo. Uma variante em seda branca foi usada por mulheres da aristocracia.
A faldetta ou ghonella era uma veste aristocrática que se generalizou nos finais do século XVI em Malta, Veneza, Sicília, Portugal, Espanha e Flandres, tendo sobrevivido até ao século XX em Portugal e em Malta.







sábado, 7 de abril de 2018


Alguns uniformes de liceus franceses
(2ª metade do séc. XIX: 1860 e ss.)

Uniforme masculino de inspiração militar e /ou policial composto por calças compridas azuis escuras, dólman (túnica) azul escura; colete; boné de pala (képi) azul escuro, luvas escuras em pele.
Confecionado em pano de lã, com debruns vermelhos no colarinho e costuras das calças, dólman e boné. Botões metálicos amarelos com motivos incisos. Motivos bordados no colarinho do dólman.
Este traje foi usado em diversos liceus franceses entre o século XIX e inícios do século XX, bem como nalguns colégios privados. Foi alvo de edição em postais ilustrados e têm aparecido à venda exemplares completos em casas de antiguidades.
Entre finais da década de 1850/inícios da década de 1860 esteve em discussão uma proposta que tinha como objetivo implantar na UC e no Liceu um uniforme masculino deste figurino.

Estudantes do Liceu de Avinhão.

Evolução dos uniformes usados nas escolas de artes e ofícios (comerciais e industriais). Os dois últimos figurinos documentam o traje de aluno interno e o de aluno externo, com diferenças no dólman, sendo o casacão de inverno idêntico. Este postal refere-se à escola de Châlons sur Marne.


Aluno do Liceu de Nantes, década de 1860. Visíveis as polainas de lã em azul escuro ou em preto sobre os sapatos.

Alunos da escola de artes e ofícios de Châlons sur Marne, ca. 1905.









quinta-feira, 29 de março de 2018


Santos com trajes e/ou insígnias doutorais

João Durães deixou um novo comentário na sua mensagem " Santo Ovídio "Doutor"Inesperada e notável, eis um...":

Tanto quanto sei, existem mais dois casos de esculturas de Santo Ovídio representado como Doutores pela Universidade de Coimbra: na Igreja Matriz de Santo Ovídio, em Vila Nova de Gaia, sendo o capelo (tal como o resto das vestes) castanho, de murça única e sem alamares, e o barrete não tendo borla alguma, e na Igreja do Convento de S. João Novo, estando aqui representado como Doutor pela Faculdade de Direito, pois o capelo (não sei se de dupla murça ou apenas de uma), com alamares, parece-me ser vermelho e o barrete parece apresentar borla desta cor. Em ambos os caos acha-se omissa a capa talar.
De resto, grande parte das esculturas de Santo Ovídio presentes no nosso país, nos casos que não o representam como bispo de Braga representam-no em hábito talar de estudante de Coimbra, com sotaina, chamarra e barrete (mas sempre sem mantéu). Aparentemente, a justificação para ser representado com vestes talares é por, segundo a lenda, Santo Ovídio ter sido contemporâneo dos apóstolos e vivido em Roma (o que é dito no "Agiologio Lusitano"), o que não me convence.

Reposta
Caro João Durães
Grato pelo seu comment bem documentado e com léxico rigoroso. É sempre bom falar grego com quem fala grego.
Existem vários "santos doutores" provenientes das oficinas de santeiros de arte sacra em igrejas de Espanha, Portugal e Brasil, produzidos entre os séculos XVII-XIX que de forma pouco documentada figuram Santo Ovídio, Santo Ivo da Bretanha, e São Cosme e São Damião, com hábitos e insígnias doutorais.
Os escultores santeiros copiariam as imagens umas pelas outras (de as ver em determinadas igrejas e procissões), por gravuras e através de instruções oriundas dos párocos encomendadores.
No Recife e na igreja da Santa Casa da Bahia existem imagens sacras em madeira estofada e policromada que representam doutores da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra com elevado grau de rigor morfológico no que concerne aos "santos doutores" Cosme e Damião.
Nas ordens terceiras franciscanas de Ovar, Porto e Vila do Conde existem imagens de roca (de vestir) de Santo Ivo da Bretanha que misturam hábito talar romano com hábito talar coimbrão e jogos e insígnias doutorais de Cânones e Teologia de forma completa ou incompleta. Enquanto que a imagem de Ovar parece replicar a da Ordem Terceira do Porto (que eu infelizmente não pude estudar, tal foi a inibição de requerimentária burocrática exigida), já em Vila do Conde o Santo Ivo foi vestido com beca de juiz à portuguesa, mas mantendo o jogo completo de borla e capelo da Faculdade de Cânones da Univ. de Coimbra, infelizmente degradado mas notabilíssimo artefacto de passamanaria. Na igreja do convento de Mafra o Santo Ivo ostenta hábito talar e insígnias singelas da 1ª metade do século XVIII, ainda não inteiramente influenciadas pela gramática barroca. Contudo, num dos altares da igreja do mesmo convento existe um alto relevo no qual o santo apresenta vestes romanas como sobrepeliz e insígnias barrocas completas, vendo-se distintamente o capelo de duas murças.
Seria interessante obter fotografias das imagens de Santo Ovídeo de VNG e de S. João Novo.
Para Espanha, México e Filipinas, existem também numerosos casos de arte sacra (pintura e escultura) com santos doutores. Nelas pudemos encontrar de tudo, desde o máximo rigor à fantasia quase carnavalesca.
Para a França, vale a pena ver e perceber como é que as imagens do Santo Ivo da Bretanha foram sendo vestidas. E aqui também encontrei de tudo, desde hábitos talares romanos a togas e barretes de advogados.
Esta matéria foi largamente tratada naquilo que se conseguiu localizar até 2013 no livro "Identidade(s) e moda, percursos contemporâneos da capa e batina e das insígnias dos conimbricenses". Não sendo o assunto considerado tema de interesse científico, a edição teve de ser paga pelo autor, mas isso já é outra conversa.
AMN
Imagem de Santo Ovídeo, venerada em VNG/Portugal, editada em https://avozdegaia.wordpress.com/2008/09/18/festas-de-santo-ovidiohistoria-de-mafamude/.

Imagem sacra em madeira entalhada, estofada e policromada, de vulto inteiro, mas de pequena estatura, possivelmente do século XVIII (?), não sendo inteiramente congruentes os referentes da estética barroca, pelo que pode tratar-se de uma obra posteriormente repintada (?) ou de trabalho de santeiro insuficientemente documentado. O santo aponta com a mão direita para o ouvido e traz na mão esquerda um livro, que talvez não seja de mezinhas médicas mas sim de orações. Veste uma sotaina talar de um corpo, com mangas estreitas, que se enfiava pela cabeça e tinha uma carcela frontal entre o pescoço e o diafragma, que os jesuítas designavam por roupeta. Há quem confunda sotaina com batina romana, mas estas duas vestes não são de todo idênticas e estão erradamente referenciadas na maioria dos dicionários e enciclopédias como se pode ver por Thiron (Album historique des constumes religieux, 1869, autor que sabia da poda). A sobreveste é uma garnacha ou zimarra, também talar, sem mangas, apertada no pescoço, vendo-se muito bem as cavas. A este conjunto de sotaina e chamarra/zimarra aberta chamava-se justamente loba aberta. Loba, porque os alfaiates consumiam na sua confecção uma enorme quantidade de pano. Esta veste de corpos duplos desapareceria da Univ. de Coimbra sem deixar memória. Boa sorte a nossa, em 1907 ainda foram fotografados alunos do Colégio dos Inglesinhos, de Lisboa, com o que dela restava, e nos seminários católicos de Espanha sobreviveu a versão fechada que foi fotografada até aos anos 30 do século XX. Em Portugal, a única veste semelhante que também praticamente já desapareceu era a beca de corpos duplos dos juízes que ainda há poucos anos era feita em alfaiatarias de Coimbra. Por cima desta veste observamos um capelo muito modesto, munido de capuz dorsal, sem alamares, que talvez corresponda a sua formulação naif ao capelo de bacharel que os Estatutos da Univ. de Coimbra de 1653 referem, sem desenho nem descrição, dele apenas dando as cores científicas e o pano de seda. Mesmo que fosse capelo de bacharel em Medicina, de uma só murça, deveria ter alamares. O barrete cilindriforme com copa cónica será porventura a peça mais insólita deste conjunto. Na verdade faz lembrar mais uma mitra episcopal do que um barrete académico. Não tem borla alguma, não tem pega de tipo maçaneta e não ostenta franja. Pelo que lhe falta completa inspiração no que se usava na Univ. de Coimbra e nas universidades de Espanha e da América Latina.
Tudo indica que o santeiro entalhou com grande liberdade criativa.


Santo Ovídeo, igreja do Colégio da Esperança, Porto/Portugal.


Seminaristas do Colégio dos Inglesinhos junto ao adro da Sé de Lisboa na saída da procissão do Corpo de Deus, Lisboa, junho de 1907, revista Ilustração Portuguesa, nº 68, de 10.06.1907.
Sapatos pretos de pele, com fivela de prata; batina talar romana; chamarra sem mangas, aberta na frente, fixada no pescoço com atilho de tecido; volta branca e cabeção preto; barrete preto de quatro arestas com três cristas e borla de tipo pompom; sobre os ombros, uma beca de pano vermelho, lançada em V, com as pontas caídas pelas costas, que se usou em vários seminários de Portugal, Espanha, México e Perú, presentemente retomada nas tunas universitárias de Espanha e em várias universidades espanholas que promovem atos de licenciatura.

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Caro Prof. (...)
Infelizmente, não sou um entendido na matéria, pelo que tudo o que eu sei actualmente aprendi-o através da leitura deste site, do qual tenho o prazer de frequentar.
A imagem de Santo Ovídio de Vila Nova de Gaia a que me referia é essa mesmo que consta nesta publicação. Pode observar-se uma foto dessa mesma imagem neste site: http://memoriasgaiensesbibliotecadegaia.blogspot.pt/2010/10/festa-e-o-culto-santo-ovidio.html (1.ª foto).
Quanto à imagem de Santo Ovídio da igreja do convento de S. João Novo, só pude observá-la através da existência de duas fotos em meios online, estando em ambas retratado a alguma distância do local de captação da imagem (não se podendo observar, por isso, em pormenor): http://portojofotos.blogspot.pt/search/label/S.%20Jo%C3%A3o%20Novo (19.ª foto da 1.ª publicação) e http://portoarc.blogspot.pt/2014/11/conventos-de-religiosos-xii.html (8.ª foto, no lado inferior). Pelo que me parece, e como tinha dito anteriormente, Santo Ovídio está representado como Doutor pela Faculdade de Leis da Universidade de Coimbra, pois parece-me que o capelo (de dupla murça, penso, e com alamares) é vermelho, apresentando o barrete uma borla da mesma cor. Contudo, penso que há que ter cautela nesta leitura, pois a chamarra é da mesma cor, quando em rigor penso que deveria ser preta ou castanha.
Entretanto, descobri que existe uma imagem do mesmo santo em Meixomil-Paços de Ferreira, onde está também representado como Doutor, com loba e barrete redondo de picos (sem borla, parece-me). Penso que aqui, tal como na imagem do Colégio da Esperança, a figuração da loba é bastante rigorosa (especialmente no detalhe da carcela da sotaina). Contudo, o capelo (de dupla murça) não apresenta alamares nem carcela, assim como cor científica (não sei se por ignorância do "santeiro" se por intenção, de modo a não o veicular a nenhuma especialidade científica). Uma vez que não sou entendido em História de Arte, não me arrisco a dar cronologia para a elaboração destas imagens.
Realço que desconheço os motivos para vários "santeiros" figurarem Santo Ovídio como doutor pela Universidade de Coimbra (indicando ou não a especialidade), uma vez que, segundo a lenda, não se conhece a profissão deste santo (ao contrário dos Santos Cosme e Damião e de Santo Ivo) antes de "ter sido" 3.º bispo de Braga. George Cardoso, no 3.º tomo do "Agiologio Lusitano", fornece parcialmente a explicação, afirmando que se representa algumas imagens "vestidas com roupas talares à romana, por ser contemporâneo dos Apóstolos", o que (como já tinha dito) não me convence, pois alguns santos também de origem romana e contemporâneos dos Apóstolos não eram/são representados desta forma por esse motivo. Seria interessante explorar em documentação histórica se Santo Ovídio teve alguma ligação à Universidade de Coimbra que desconhecemos.
Com os melhores cumprimentos e votos de uma Boa e Santa Páscoa,
João Durães.
(31.03.2018)

Caro João Durães
Não consegui observar como gostaria o Santo Ovídio que avulta no altar-mor da igreja do convento de S. João Novo (cidade do Porto). A não ser que tenha havido distorção do padrão cromático, parece realmente ser capelo vermelho. A ser vermelho, trata-se de erro do santeiro ou então a imagem pode ter sido sujeita a repinte.
Em Portugal, Brasil, Espanha, México, Perú e Filipinas os escultores e pintores reproduziram na arte sacra dos séculos XVII/XVIII/XIX trajes e insígnias de santos doutores com atributos associados às universidades de Coimbra, Salamanca, Real e Pontifícia do México, San Marcos de Lima e Santo Tomás de Aquino de Manilha. Os casos dos santos doutores Come e Damião, as insígnia doutorais de Medicina são bastante fiéis à realidade, na morfologia como na cor científica amarelo-ouro. Mas em retratos a óleo de professores-bispos e reitores-cónegos é frequente a confusão de cores científicas certamente por desconhecimento dos pintores contratados.
Veja-se esta imagem de São Tomás de Aquino, do séc. XVIII (?), venerada nas Filipinas, com barrete doutoral de quatro picos, borla e franjado de cachos. Tudo banhado a ouro, quando o barrete deveria ser forrado em pano preto de seda e os elementos de passamanaria em seda branca, cor científica da Teologia.




Seguidamente, barrete de graduado em Teologia, com estrutura cartonada preta, franja e borla em seda branca, Valência, Espanha, 1888, numa curiosa sobrevivência do antigo barrete que por lei tinha sido erradicado nas universidades espanholas em 1850:


O quadro seguinte respeita a São Francisco Xavier na qualidade de teólogo. Pintura produzida no México em 1704, figura o santo com indumentária talar romana associada à Companhia de Jesus e insígnias doutorais da Faculdade de Teologia da Real e Pontifícia Univ. do México. O barrete segue o figurino luso-hispânico. O capelo é de dupla murça, sendo a interna em seda preta e a exterior em seda branca com carcela pouco visível.


Representação de São Tomás de Aquino como doutor da Igreja em sagrada Teologia, pintura proveniente do México, primeira metade do século XVIII, acervo do Museu de Brooklyn, USA.


quinta-feira, 23 de novembro de 2017



Togas para formaturas em Toulouse

As universidades francesas começaram a realizar na década de 1990 cerimónias de formatura com recurso a elementos vestimentários replicados das universidades norteamericanas. Em todos os casos conhecidos tratou-se de uma abordagem historicamente desinformada, materializada em adereços pouco felizes ao nível dos materiais/formas/design que passam frequentemente a imagem de festa de carnaval em casa de amigos, cortejo de infantário, fantasia de dia das bruxas ou até da mistura de tudo isto com um pouco de Grammys. Para tentar solucionar estes sustos visuais, em 2015 uma equipa da Universidade de Toulouse trabalhou em conjunto com a Maison Bosc e criou a proposta que se pode observar na terceira fotografia.

 Entrega de diplomas de mestrado, Farmácia, 2015, Univ. de Monpellier

Entrega de diplomas de doutoramento, Engenharia, 2015, Univ. de Limoges

Toga, epitógio e gorra (faluche), projeto desenhado e confecionado em 2015 pela firma Maison Bosc para os graduandos da Fac. de Direito da Univ. de Toulouse. Combina elementos da tradição francófona universitária (toge, epitoge) e redesenha a gorra oitocentista dos estudantes (La Faluche).


Abertura solene em Poitiers

Apontamentos do cortejo de abertura solene das faculdades de Medicina e Farmácia, Universidade de Poitiers, 26.09.2016, anfiteatro no campus.




Assim vão as coisas na Sorbonne

Aspetos da exposição de togas e insígnias no átrio do grande anfiteatro dos atos, cortejo do corpo docente e diversas figurações dos bedéis com as massas das faculdades.
Identificação das vestes e cores: 1) toga vermelha, epitógio e barrete de Direito (vermelho); toga e insígnias de Medicina (vermelho púrpura); toga de Letras/Humanidades (amarelo); toga de Ciências Naturais (vermelho escarlate); libré de oficial com casaca, espada e colar; togas de reitor (preto e lilás forte).






terça-feira, 21 de novembro de 2017


Do hábito e das insígnias dos santos doutores da Misericórdia da Bahia


Imagens sacras em madeira esculpida, estofada e policromada dos santos doutores São Cosme e São Damião, segundo explícita gramática barroca do século XVIII, altar-mor da igreja da irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Salvador da Bahia, Brasil.
Graciosas e muito raras esculturas do universo lusófono, emprestam aos santos doutores os hábitos e insígnias corporativas da Universidade de Coimbra.
Ambos os santos vestem hábito talar de abatina, composto por colete comprido, abatina e capa. A abatina é do tipo redingote, embainhada pelos joelhos, com carcela ornamental frontal caseada e com botões forrados, sendo visíveis os canhões de mangas orlados de botões. Nos acessórios, identificamos bengala, sapatos pretos de pele guarnecidos de fivelas de prata, meias altas pretas, calções e possível plastron à francesa. Uma figuração bastante curiosa, pois a etiqueta universitária preceituava o uso de cabeção entre o colete e a camisa branca e volta branca. Igualmente curiosa parece ser a presença de capa curta num dos doutores, e de capa talar enrolada no braço esquerda de outro dos doutores. As insígnias doutorais estão conformes com a borla e capelo da Universidade de Coimbra, insígnias que na mesma época eram bastante semelhantes às de algumas universidades espanholas da Península Ibérica e da América Latina (México, Lima, entre outras). Os santos exibem sobre os ombros o capelo, uma murça dupla, munida de capuz dorsal e jogos de rosáceas de seda e alamares, em cetim e seda amarela, a cor distintiva das ciências médicas. Sobre as cabeças dos santos vislumbramos as borlas, quer dizer, barretes pretos ornamentados com franjas longas de seda amarela e florões aparafusados nas copas. Estes florões, que em Coimbra se chamam pegas, são semelhantes às borlas dos cortinados, e armavam com bolbos de madeira feitos num torno de carpinteiro, que se forravam com fio de seda e encaixavam uns nos outros, levando no interior um comprido parafuso.
Estas insígnias eram conhecidas no Brasil, território para onde eram levadas por eclesiásticos e funcionários da coroa que tinham obtido graduação na Universidade de Coimbra. Quando foram criadas as primeiras faculdades de Direito nos anos seguintes à independência, essas escolas também adotaram as insígnias no estilo de Coimbra.

Fotografias digitais de Liana Mascarenhas, acessora de imprensa da SCMSB, a quem agradecemos.



Elementos adicionais para a compreensão das imagens sacras

A-Insígnias doutorais, Faculdade de Medicina/UC, Portugal, identificadas como borla (barrete) e capelo (murça) em seda e cetim.
B-Coletes da primeira metade do século XVIII, conhecidos por véstias, com mangas metidas e costas abertas, ligadas por atacas de pano. Nalguns documentos produzidos por estudantes da UC ligados aos ideais abolicionistas, há referências a uma peça do traje académico, a sotaina, que se vestia pela cabeça e teria as costas fendidas até à cintura, fechando com este tipo de atilhos.




C- Casacas da primeira metade do século XVIII, sem colarinho nem gola:





D-Calções de alçapão ou portinhola:


E-Sapatos de fivela conforme a etiqueta palaciana dos séculos XVII e XVIII:

E.1-Segunda metade do século XVII, em pele preta, tacão vermelho, línguas curta e comprida, e fivela.



E.2-Século XVIII




F- mantéu de seda:



G-meias ou meias-calças à italiana (cáligas) com ligas de fixação:




Reunião de antigos alunos da Universidade de Sherbrook, Canadá, em 2007.
Toga preta com aquilo que parece ser uma muito duvidosa ou lá o que quer que isso seja insígnia para bacharéis, em cetim amarelo e verde.


Universidade Católica de Lyon

 Reitor e decanos num cortejo fúnebre, 27.05.1911
Uso de toga e insígnias, notando-se cabeças cobertas e desbarretadas.

Reitor e decanos, precedidos por oficial à civil, 1912.
Entre a segunda metade do século XIX e os inícios do século XX algumas universidades católicas francesas como Lyon e Lille mantiveram os hábitos romanos em uso entre os representantes dos órgãos de direção e membros do corpo docente com dignidade eclesiástica. Trata-se efetivamente de uma tradição universitária europeia, com expressão em universidades americanas, segundo a qual as vestes eclesiásticas masculinas e femininas são para todos os efeitos equivalentes às académicas estatutárias. Nas universidades ibéricas, o uso do hábito eclesiástico secular ou regular admitia exceções em matéria de insígnias. Por desconhecimento da etiqueta universitária europeia plurissecular, esta situação tem sido repetidamente omitida nos chamados códigos "de praxe" ou até proibida "contra legem". Como é sabido, cada tempo tem as suas legitimidades e as suas razões.


Trajes e insígnias da primeira universidade estabelecida na Lorraine
(1572-1768)


Cartaz da exposição instalada na Abbaye des Prémontrés, 18/10 a 05/12 de 2012.