Virtual Memories

sexta-feira, 18 de outubro de 2019


Cerimónias de d.h.c. na UP (1943)

Fonte: Vida Mundial Ilustrada, nº 111, edição de 1.06.1943


domingo, 13 de outubro de 2019



Retrato de Roberto Frias

Retrato do médico Roberto Frias, membro do corpo docente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1907.
Veste toga preta talar, de mangões de boca de sino, com sobremangas à maneira da beca de juiz, fartos plissados nas costilhas e peito. Conjunto completado por barrete preto de copa oitavada e borla central em forma de pompom. Esta cobertura de cabeça comportava um galão de cetim preto em torno da base. Era o uniforme corporativo de uso comum, correspondente ao pequeno uniforme, existindo um grande uniforme à base de casaca e espada. A toga tinha as suas origens na veste adotada um bom meio século antes da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, apresentando embora algumas variantes no feitio das rosetas peitorais e especialmente na copa do barrete (o de Lisboa tinha base circular, copa circular e quatro cristas encimantes).
Com a transformação da EMC do Porto em faculdade e respetiva integração na UP (1911) este traje continuou a ser usado pelos membros do corpo docente da FM/UP. Nas demais faculdades verificou-se preferência pelo hábito talar de matriz conimbricense (com e sem borla e capelo). Faculdades havia em que o traje conimbricense era usado ao longo de toda a carreira docente nas cerimónias a que concorriam os professores. Noutras, os docentes começavam por usar o traje de matriz coimbrã, mas na promoção a professores catedráticos passavam a trajar a toga.
O traje de toga foi substancialmente reformado nos inícios do século XXI, sendo hoje em dia cada vez mais raros os docentes da UP que ainda usam a antiga toga. Outra tendência que se generalizou após 1974 foi o abandono do barrete.

Fonte: revista Argus, nº 1, maio de 1907

quinta-feira, 29 de agosto de 2019



Dúvidas sobre os trajes de bedel (sécs. XVII e XVIII)

Caro João Durães

Não há uma resposta única para o que seriam os trajes de bedel na Europa e na América dos séculos XVII e XVIII.
No caso dos auxiliares de cerimónias religiosas católicas importa ver com cuidado o significado de opa. Tanto eram opas túnicas sem mangas vestidas pelos membros das irmandades, como também eram opas as complexas vestes de seda das santas casas de misericórdia. Existem gravuras coloridas de época e fotografias do século XIX que documentam em Itália, Espanha, Grã-Bretanha e França como eram as antigas vestes de bedel nas universidades, sinagogas e catedrais. No geral eram vestes do tipo toga / túnica com barrete e insígnias da arte. No caso específico da Universidade de Coimbra, as antigas vestes de bedel que constam nos Estatutos não eram o traje palaciano de capa e espada mas sim a loba, uma complexa veste talar de dois corpos sobrepostos que admitia pelo menos 3 variantes morfológicas. No caso de Espanha, pelo menos nas procissões do Corpus Christi alguns cabidos catedralícios mantiveram a indumentária específica dos maceiros e dos pertigueros (bedéis, porta-varas). Nas catedrais anglicanas essa tradição ainda mantém acentuado vigor.
Espanha: Leia informação complementar em https://liturgia.mforos.com/1699102/8004367-pertigueros-maceros-y-pajes-de-hachas/. Para o contexto anglo-saxónico pode pesquisar "cathedral vergers").
Alemanhahttp://philippi-collection.blogspot.com/2011/04/barett-of-kirchenschweizer.html
O traje usado na atualidade pelos bedéis da UC não é minimamente fiável para fins comparativos, uma vez que o que se vê nos filmes do youtube e em fotografias editadas na internet é um vulgar traje de passeio com uma capa que não corresponde às caraterísticas do traje de capa e espada requerido pela etiqueta.

A "opa de bedel" sinalizada nos documentos poderia ter alguma semelhança com os hábitos dos camareiros e oficiais da corte papal, por exemplo, com o traje de porta sedia (sediari) que se usou até finais da década de 1970:

Fotografia storica militare / la corte e i cardinale / famiglia pontifícia, https://myarchiviostoricofotografico.com/2019/01/cardinali-e-personaggi/


Bedéis de igreja com maças de prata, vestindo os hábitos talares do ofício e barrete. Cortejo fúnebre de Carlos XIII, duque da Lorena, em Nancy, no ano de 1608. No essencial corresponde à morfologia observada para a mesma época em trajes italianos, espanhóis, franceses e portugueses para uso em universidades, tribunais e catedrais. A "verger gown" anglo-saxónica ainda mantém as linhas básicas desta veste. Já divulgamos neste blogue este tipo de veste, tendo em conta um exemplar completo que pertenceu a São Vicente de Paula. Cópia oitocentista do original, anunciada para venda, https://www.akg-images.com/CS.aspx?VP3=SearchResult&VBID=2UMESQ5G2XA5V9.

Reitor, decanos e bedéis da Universidade de Perpignan, França, finais do século XVIII (ca. 1787), disponível em https://www.mairie-perpignan.fr/fr/culture/patrimoine/monuments/lancienne-universite

O traje referenciado no documento pode ser do tipo supra, neste caso loba fechada de dois corpos, barrete de Teologia/Filosofia e beca de ombros, conforme usança nos colégios maiores de algumas universidades espanholas (ex: Valladolid), e em colégios superiores da América espanhola que concediam graus académicos. Como traje de alguns seminários episcopais sobreviveu em Espanha até à década de 1960. A sobreveste podia ser preta, vermelha, azul e castanha (pardacenta), em tecidos que iam da lã fina, à sarja, ao adamascado e à seda lavrada. É a este tipo de indumentária que se referem os velhos estatutos da UC quando mencionam lobas para bedéis.
Retrato setecentista integrado no Museu del Virreino / Universidad Nacional de México, http://pem.facmed.unam.mx/index.php/salas/pinacoteca-virreinal


A referência documental deve reportar-se ao tipo de indumentária fixado nesta imagem. Bedel (pertiguero) da catedral e basílica de Barcelona com a antiga veste talar e maça de prata do ofício. Traja chapéu quinhentista à Filipe II (ainda hoje usado pelos maceiros municipais de Pamplona), loba de dois corpos (a interna em veludo escuro; a sobreveste em seda lavrada de padrão banco?), beca de compridas pontas dorsais e gorjeira à século XVII. Nos acessórios, luvas brancas, calções, meias altas e sapatos pretos de fivela de prata. Fotografia de 1916.




terça-feira, 27 de agosto de 2019


Representações de São Cosme e São Damião

Imagens sacras em madeira entalhada, estofada e policromada de São Ivo e São Cosme, venerados como santos médicos. São por vezes figurados na arte sacra luso-brasileira e hispano-americana como médicos com vestes talares universitária e insígnias doutorais de Medicina.
Estas duas imagens parecem replicar outras duas, do século XVII (?) existentes na igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da cidade do Recife / Brasil.
Ostentam os barretes com franjas de seda amarelas, cor científica da Medicina em Portugal e em Espanha. Vestem o famoso traje talar multissecular de loba fechada (ou cerrada), composta por duas amplas túnicas pretas, ou uma em preto e a outra em castanho, de vestir e despir pela cabeça. A veste de baixo, designada sotaina, tinha carcelas sobre o peito e nas bocamangas. A sobreveste (beca, garnacha fechada) tinha largas cavas para a saída dos braços e falsas mangas pendentes.
Sinalização não identificada, disponível em http://santossanctorum.blogspot.com/2010/09/sao-cosme-e-sao-damiao.html

 As imagens recifianas, já anteriormente editadas.


Imagem sacra (Mafra)

Imagem de vulto, de Santo Ivo (?) com hábito de coro e insígnias doutorais conforme as usadas na Faculdade de Direito Canónico da Universidade de Coimbra. Altar, igreja do convento de Mafra, Portugal, século XVIII. Capelo de duas murças, com capuz e alamares. Barrete quadrangular com láurea barroca e pega.


 Exemplo de trabalho de passamanaria em fio de ouro, aplicado em frontal de altar, museu de arte sacra, convento de Mafra / Portugal. Ornamentação com galão de florinhas, franjas torsas e de pingentes florais, comum ao barrete doutoral conimbricense.

sábado, 24 de agosto de 2019


Gafezinhas protocolares, pois sim senhor!

Aproveitamos para sinalizar algumas gafes protocolares associadas ao protocolo académico, tendo em conta a visualização de filmes e fotografias circulantes na internet. O porte da indumentária académica, seja a clássica, sejam os novos trajes aprovados por comissões de estudantes a partir de 1990, segue disposições protocolares de há muito consagradas em cerimónias religiosas, militares e universitárias. Mesmo quando se trata de um traje de origem e /ou inspiração etnográfica, é importante saber que os camponeses usavam os chamados trajes de festa / domingueiros segundo determinadas regras no que respeita a cumprimentar, saudar, entrar e estar em templos, palácios e tribunais. É da mais elementar sabedoria popular o conhecimento de regras básicas relativas ao porte de gabões, capas, capotes e chapéus. Sendo certo que as regras de protocolo e civilidade são evolutivas, não é propriamente simpático visualizar imagens de cerimónias nas quais representantes de órgãos como associações de estudantes desfilam e usam da palavra sem conhecer os básicos do protocolo associado ao uso de capas, capotes e coberturas de cabeça. Como compreender o excesso de regulamentadorismo e proibicionismo nos chamados códigos de praxe proliferantes e os chutos para canto em meia dúzia de regras protocolares que são do senso comum? A compra de um bom velho manual de etiqueta num alfarrabista poderia ajudar.

-Cerimónia comemorativa do 44º aniversário da UA, galeria fotográfica da PR, veja-se o representante dos estudantes no uso da fala com o gabão ao ombro, 15.12.2017, http://www.presidencia.pt/?idc=10&idi=140666
-Comemorações do Dia da UAlg., 15.12.2018, registando-se: na comitiva estudantil que transporta as insígnias a conferir ao d.h.c., duas estudantes apresentam-se de capa ao ombro; mais à frente, o presidente da associação de estudantes faz as saudações e discursa de capa ao ombro, https://www.youtube.com/watch?v=PtHvvvIm5wM
-Dia da UP, 22.03.2019, cerimónia sem reparos protocolares dignos de nota. Apenas salientar a duplicidade de critérios do órgão organizador, que tanto aceita indumentária e adereços de cerimónia (capas, togas, grandes colares, medalhas), como premiados em mangas de camisa. Não parece haver da parte do órgão organizador da cerimónia um conceito congruente de indumentária adequada ao evento e, caso exista, o mesmo não terá sido explicitado nos convites, https://www.youtube.com/watch?v=xHBPEfQGEt0.
-Diversas problemas com a capa, ou a falta dela, em cerimónias na UMinho, como sejam o dia da fundação, a investidura de reitores e d.h.c.. Exemplo: https://www.youtube.com/watch?v=6Gqddw5e9eA. No filme relativo à investidura e proclamação do novo reitor, com data de 28.11.2017, podem observar-se dois estudantes auxiliares do protocolo a percorrer o paraninfo sem capa, enquanto que o presidente da associação estudantil inicia a sua intervenção de capa ao ombro e não se descobre para fazer as cortesias, https://www.youtube.com/watch?v=1R1jCku0oGw.
-Não é propriamente gafe protocolar mas sim crescente desconhecimento dos procedimentos artesanais de confeção do hábito talar (capas transformadas em meios capotes, batinas convertidas em casaquinhos de 3/4), o que em termos de impacto visual e de imagem institucional sugere uma certa carnavalização e uma guinada para as fatiotas do tipo rececionista de hotel e vendedora da Charles. Quando se chega aqui, mais vale fazer as arguições em traje civil ou então criar um vestiário com peças de vários tamanhos para uso dos elementos dos júris. Vejam-se as fotos das arguições de provas doutorais na UC, https://www.uc.pt/fctuc/dei/NOTICIASEVENTOS/ProvasdeDoutoramento.



Primeiras mulheres doutoradas em Espanha

1-Maria Isidra Quintino de Guzmán y la Cerda (1767-1803), doutorada em Filosofia y Letras pela antiga Universidad de Alcalà de Henares, em 1785. Insígnias em azul claro.



 2 - Martina Castells Ballespí, em Medicina, na Universidad de Zaragoza, 1882. Insígnias em amarelo.

3 - Angela García de la Puerta (1903-1992), doutorada em Ciências pela Universidad de Zaragoza, 1928. Insígnias em azul escuro, conforme a cor usada na Faculdade de Filosofia Natural/Universidade de Coimbra entre 1772-1911. Imagem disponível em https://letrasdesdemocade.com/2017/12/11/las-primeras-doctoras-de-ciencias-de-espana/. 




Dois barretes académicos doados à Universidade das Baleares

Dois exemplares originais de barretes académicos, de estilo barroco, doados à Universitat des Illes Baleares pelo colecionador privado Josep Carles Tous, https://www.ultimahora.es/noticias/local/2001/09/27/827427/dos-birretes-con-historia-para-la-uib.html

O primeiro é em forma de chapéu preto /sombrero dos altos dignitários da China e Tibete, com as abas dispostas em três cantos e a copa ornada de florão de passamanaria. Nos séculos XVI-XVII os doutores não eclesiásticos da antiga Universidad de Alcalà de Henares usaram um sombreiro doutoral semelhante.
O segundo é um barrete preto quadrangular (de quatro picos) ornamentado com laurea franjada (flecos) e florão encimante, próximo do usado nas universidades de Cervera, Coimbra, México, Lima e Guatemala, e no Colégio Mayor do Rosário (Bogotá/Colombia).
Nos dois barretes, uma parte da franja é urdida em rede de pesacador, solução que também se usou em alguns barretes da UCoimbra na primeira metade do século XIX.


Cerimónia de colação do grau de doutor em Teologia, antiga Universidad de Alcalà de Henares, inícios do século XVII, tela existente na Universidad Complutense de Madrid. Um doutor em Direito Civil e dois doutores em Direito Canónico ostentam o mesmo tipo de sombreiro doutoral, com ampla franja de seda, mas sem o florão encimante. A simbologia é sempre a mesma, fazer ressaltar em todo o seu esplendor a árvore da ciência e os seus frutos.



Morfologia do capelo académico espanhol

Morfologia interna e externa do capelo/muceta universitário espanhol.
Capelo de duas murças/mucetas sobrepostas, cortado em meio círculo, com a murça interior em preto integral, capuz dorsal, murça superior aberta verticalmente sobre o peito e ornamentada com carcela de botõezinhos revestidos. O direito, normalmente em cetim de bom padrão, é na cor científica em que o detentor obteve o grau académico, podendo os botões levar mistura de cores.






Estranha indumentária de um antigo estudante da UC (1891)

Estranha combinação de cores na indumentária católica romana de um padre que se formou na Universidade de Coimbra em 1891.
Retrato de corpo inteiro, sentado, do Padre-Bacharel José Rodrigues Liberal Sampayo (1846-1935), natural de Vila Real. Após a sua ordenação sacerdotal na arquidiocese de Braga, e tendo trabalhado como sacerdote e professor, matriculou-se em 1886 na Universidade de Coimbra, tendo seguido os cursos de Teologia e Direito. Formou-se e colou grau em 1891.
Não se estranha nesta carte visite o facto de Liberal Sampayo envergar hábito talar romano de batina e ferraiollo com cabeção preto, volta branca, calções, meias altas, sapatos pretos de fivela e faixa de seda. O que se estranha são as cores presentes nas meias de seda e na faixa, algures entre o cor-de-roxa e o arroxeado. Sendo simples padre, os regulamentos vestimentários católicos não lhe autorizavam outra cor além do preto. Poderia meter vivos e galões na batina e na capa, mas obrigatoriamente de cor preta. A ter outra dignidade eclesiástica superior à de padre, seria cónego, e daí o colorido das meias e da faixa de cintura?
A fotografia não documenta coberturas de cabeça que seriam um solidéu preto e um barrete tricórnio.
Segura na mão direita uma pasta de luxo de quintanista fitado em Teologia (fitas brancas de seda) e Direito (fitas vermelhas de seda), com talas cartonadas e forradas de veludo vermelho e branco (?) com ornatos de prata (habitualmente iniciais do portador entrelaçadas artisticamente; símbolos dos cursos: cálice e óstia /balança e espada).
Três notas breves: a) de realçar que a pasta com fitas exibida durante o último ano do curso e nos momentos pós-formatura não era uma insígnia de grau. Era transportada pelo graduando no momento em que colava o grau de bacharel, mas o que se colocava na cabeça do graduando para lhe conferir o grau era o barrete doutoral do professor que presidia ao ato; b) embora seja situação omissa nos códigos protocolares conimbricenses, os trajes eclesiásticos M/F, regulares e seculares, são para todos os efeitos equivalentes ao traje académico, e o mesmo acontece nas universidades históricas britânicas, hispânicas e escandinavas (pelo menos em Uppsala). Portanto, se a coisa estiver omissa ou negada, será por puro desconhecimento do "legislador"; c) ontem como hoje, na UC e nas universidades hispânicas, sempre que o graduado detém especialização em mais do que uma ciência, misturam-se as cores dessas ciências nas insígnias.

Fonte: Velharias, http://velhariasdoluis.blogspot.com/2019/03/os-condiscipulos-de-coimbra-de-liberal.HTML, edição de 28.03.2019. 


Exemplos:

1-Portugal / Universidade de Coimbra: o bispo católico D. Manuel Trindade Salgueiro com insígnias doutorais (borla e capelo) com mistura das cores científicas de Sagrada Teologia (branco) e Letras (azul escuro). Ostenta ainda o epitógio de Teologia da Universidade de Estrasburgo. Fotografia de ca. 1940.
 2. Universidades espanholas: mistura das cores científicas de Medicina (amarelo) e Farmácia (roxo).

3.Antiga e extinta Univ. Real e Pontíficia do México, século XVIII: mistura das cores científicas de Sagrada Teologia (branco) e Filosofia (azul claro).
Saber mais (dicas úteis):
Em Portugal, após a revolução de 1974, muitas foram as novas universidades e institutos politécnicos cujos alunos decidiram consagrar cores distintivas para uso individual e grupal. Nalguns casos essas cores foram copiadas de universidades mais antigas, replicando tradições de Coimbra e do Porto. Noutros casos, as cores foram inventadas por grupos ad hoc de estudantes, ou por membros de associações de estudantes, sem qualquer diálogo institucional com os órgãos de gestão (senados, reitorias, outros) das instituições de ensino superior. Um exemplo de legalidade muito duvidosa que tinha as suas raízes no popular código da praxe de Coimbra, de 1957, cujos redatores tinham tomado disposições sobre trajes e precedência de faculdades sem qualquer concertação oficial com o senado/reitoria daquela instituição. Esta ausência de escrutínio (nem os estudantes envolvidos quiseram trabalhar em equipa com a reitoria /senado, nem a reitoria de Maximino Correia estava sensibilizada para trabalhar em grupo com os estudantes) fez com que tivessem ficado em letra de artigo alguns disparates e erros básicos como a precedência das escolas que nesse texto vem atribuída a Medicina! Sem prejuízo de se trabalhar em equipa com comissões de estudantes, ou mesmo de aproveitar o trabalho que já tenham realizado, não se pode esquecer que as universidades e institutos politécnicos possuem órgãos próprios de estudo, deliberação e aprovação, como reitorias, senados e conselhos gerais, e é aí que devem ser aprovados trajes corporativos, cores e insígnias.
https://web.ua.es/es/protocolo/documentos/preguntas/catalogo-orientativo-sobre-los-colores-del-traje-academico.pdf
http://online.unl.pt/xivencontroprotocolo2015/images/Estanislao_de_Luis_Calabuig.pdf

sexta-feira, 23 de agosto de 2019


Panorama evolutivo dos uniformes nos liceus, escolas técnicas e colégios franceses

Fonte: Les petits mains, edição de 13.09.2018, https://les8petites8mains.blogspot.com/2018/09/histoire-de-l-uniforme-scolaire-en.html

Estudante dos liceus, França, inícios do século XIX.




Boné dos estudantes germânicos

Studentenmutze / Schulermutze, boné de pala preta rígida com copa de tecido mole, no qual se usam abundantes pin's desde a década de 1930.

"Studentika", postal ilustrado de 1908, documenta o tratamento dos ferimentos sofridos por um estudante de Heildelberga num duelo com espadas (academic mensur). Os membros dos dois clubes de esgrima apresentam-se com o studentenmutze.

Um aspeto da ornamentação de um schulermutze, década de 1930


Imagens do boné dos estudantes das universidades e politécnicos da Polónia

Czapka Studencka é um boné de pala preta rígida, com copa de tecido, adotado pelos estudantes polacos das universidades e politécnicos, no qual se costumam aplicar pin's e crachás. Constitui uma variante do modelo de boné consagrado no século XIX nas universidades escandinavas e germânicas, com um arco de popularização que vai da Suíça à Islândia.
Informação e imagens:https://sites.google.com/site/czapkastudencka/co-to-jest-czapka-studencka/rozne-artykuly-o-czapce-studenckiej




Dois postais ilustrados

Fonte: coleção digital da Secção Filatélica da AAC


Cortejo alegórico da Queima das Fitas e Enterro do Grau de Bacharel, Coimbra, 31 de maio de 1905. Descida de viaturas de tração animal junto ao cunhal dos paços do concelho, vendo-se do lado oposto um edifício que foi demolido para a construção da caixa geral de depósitos. Postal ilustrado, edição da Papelaria Borges.

Estudantes da Escola Nacional de Agricultura de Coimbra, inícios do século XX, com o uniforme de porte diário: botas de cano alto, em couro; calças compridas; blusa de ganga (camiseiro de tipo farmer britânico); chapéu de feltro de aba larga. Postal ilustrado, edição da Papelaria Borges.



Uma dissertação de doutoramento sobre a história da associação de estudantes da Faculdade de Farmácia de Lille (2016)

Parece pouco comum que os investigadores que não sejam de História ou de Ciências da Educação escrevam teses sobre as associações de estudantes e a vida estudantil. Eis um caso curioso em que M. Anthony Canonne escolhe para tema da sua dissertação de doutoramento em Farmácia a  história da associação de estudantes da Universidade de Lille: L'Association Amicale des Étudiants en Pharmacie de Lille, un mythe de 1878 à la reconaissance officielle de 19 mars 1930, Lille, Université de Lille 2, 2016, disponível em https://docplayer.fr/89695069-These-pour-le-diplome-d-etat-de-docteur-en-pharmacie.html
Este trabalho contém abundante iconografia e informação histórica sobre o gorro académico (la faluche), com alusão a cores, ornamentação com fitas e pins. Segundo Canonne, as fotografias dos estudantes de Lille anteriores a 1910 apenas permitem reconhecer uma fitinha de cetim verde aplicada como um galão em torno da base das gorras. Bem ao contrário dos estudantes de Montpellier que na década de 1890 já tinha aplicado gomos vermelhos nas copas das suas gorras à Rabelais. A partir de 1910 os afiliados da associação de estudantes de Farmácia de Lille terão começado a ornar os rebordos das suas gorras com pines metálicos dourados com o símbolo da Faculdade de Farmácia. O exercício de análise das imagens selecionadas por Canonne confirma que só pelos meados da década de 1920 é que os estudantes de Lille generalizaram o uso de fitas coloridas e de uma crescente parafernália de pines metálicos nas suas gorras.
Atualmente existem nas universidades francesas códigos que explicitam as cores e o design dos pines, dando conta de uma capacidade inventiva muito duvidosa que rivaliza com muitos dos regulamentos portugueses publicitados na net.

Ler mais:
Le code (de la faluche) Montpellierain, http://gnarflesite.free.fr/LE%20CODE%20MONTPELLIERAIN(faluche.net).pdf


Cores adotadas nos barretes das goliardias italianas

Tabela com a explicitação das cores usadas desde 1888 nas goliardias universitárias italianas, nos barretes (berretto / feluca), adorno de cabeça consagrado no jubileu da Universidade de Bolonha, em 1888, ainda com o feitio de orsina, http://sitogratis.wedesa.com/goliardia-istituzionale/codici/4d-de-berrettaculum.html



São Tomas de Aquino como doutor angélico
Santo Tomas de Aquino, doctor angelicus

Pintura sacra, a óleo sobre tela de linho de São Tomás de Aquino como doutor da Igreja Católica. Tela proveniente do ex-Convento de Santa Mónica, datada de 1750. Integra as coleções da Mediateca INAH, cidade do México, disponível em https://www.lugares.inah.gob.mx/es/museos-inah/museo/museo-piezas/13724-13724-santo-tom%C3%A1s-de-aquino,-doctor-angelicus.html?lugar_id=402
São Tomás é exibido num carro alegórico onde triunfam as virtudes da fé, com hábito de dominicano. Sobre o hábito corporativo apresenta as insígnias doutorais de Teologia então usadas na Real e Pontifícia Universidade do México: capelo de seda/cetim preto, com sobreposição de murça branca munida de botões e capuz+um monumental barrete doutoral armado em cartão, com quatro arestas, forrado de preto, com laurea (franjados) e florão em seda branca. O barrete doutoral com florão /pega sobre a copa apenas se usa hoje em dia na Universidade de Coimbra e em algumas universidades brasileiras que seguem a tradição de Coimbra como é o caso da Universidade de São Paulo. Contudo, entre os séculos XVI e XIX a maior parte das universidades espanholas, incluindo as dos vice-reinos da América, usaram barretes académicos armados com florões de madeira ou metal revestidos de passamanaria de seda, uma solução que talvez não seja europeia mas sim de origem asiática.
Estes aparatosos barretes, próprios para exibir em cerimónias de pompa e circunstância também de confecionaram artesanalmente para confrarias e irmandades ricas. Por exemplo, as imagens de roca de Santo Ivo Doutor existentes nas ordens terceiras de São Francisco de Ovar e do Porto apresentam avantajados barretes doutorais de Direito Civil/Direito Canónico conformes com os modelos barrocos usados em Coimbra nalgumas universidades espanholas do século XVIII e primeira metade do século XIX. Por seu turno, o capelo de dupla romeira, com carcela de botões, é o modelo usado nas universidades de Espanha, com replicações nas Filipinas e no México.





Fotografias de estudantes de Coimbra de 1868-1869

Fotografias de tipo carte-visite de dois estudantes de Coimbra, que à época se costumavam tirar em casas fotográficas de Coimbra, Lisboa e Porto para oferecer com dedicatórias autógrafas a condiscípulos, amigos, familiares e noivas. Eram realizadas em estúdio, com os estudantes frequentemente trajados com a veste talar corporativa (capa e batina), com os figurantes sentados ou em pé, quase sempre em pose frontal e em meio busto. As imagens de corpo inteiro, com os estudantes sentados ou em pé são bastante raras.
Fotografias que pertenceram ao antigo estudante da UC José Paiva Manso Sárrea de Carvalho, cedidas para reprodução à TAUC pelo seu bisneto Jorge Paiva Manso, disponibilizadas em 
https://tunauc.wordpress.com/2019/08/14/digitalizando-fotografias-de-estudantes-da-uc/

Doc. 1: retrato de vulto inteiro do estudante do Lyceu de Coimbra José Simões Baião, com datação manuscrita de Coimbra, 20.01.1868, cujo nome consta dos alunos matriculados na FD/UC no ano letivo de 1871. Veste calças compridas pretas de alçapão, capa talar de amplo panejamento, de tipo mantéu ibérico de inverno, embainhada em baixo e com alamares no colarinho; batina talar de dupla carcela, quase descendo à meia perna, cintada, com possível feitio de sobrecasaca/redingote nas costas; colete; camisa branca; plastron; o gorro académico não está visível.
Este era à data o hábito de porte comum para a frequência de matrículas, aulas, práticas laboratoriais (não se usavam batas) e atos comuns de avaliação oral. Para os atos de formatura (colação do grau de bacharel), licenciatura e doutoramento era necessário hábito de cerimónia, mantendo os membros do corpo docente as vestes confecionadas em seda preta.
Doc. 2: retrato de vulto inteiro do estudante Manuel Martins Guimarães, feito na Photographia Ferreira, cidade do Porto, com datação caligráfica de 1869. Indumentária semelhante à da fotografia precedente, mas ostentando a batina golas de tipo gabardina em torno do colarinho. Este tipo de remate aparece em retratos a óleo e fotografias de entre finais do século XVIII e primeira metade do século XIX em eclesiásticos italianos e britânicos que se faziam retratar com batinas deste modelo.




quarta-feira, 21 de agosto de 2019



Santa Teresa de Ávila doutora da Igreja

Imagem sacra de Santa Teresa de Ávila, que se venera na catedral de Jaen, representada como doutora em sagrada Teologia. Ostenta barrete preto de quatro cantos /picos, ornado com laurea de  seda branca e pequena borla em forma de pompom.


quarta-feira, 29 de agosto de 2018


Questões dos nossos leitores
Nas cerimónias de colação de graus em Artes Liberais (no período em que o Real Colégio das Artes/Faculdade de Artes Liberais esteve sob administração da Companhia de Jesus), os graduandos envergavam hábito jesuítico ou hábito talar de loba e mantéu? Obrigado pelo esclarecimento. em
em 18-06-2018
Resposta:
Dependia da sua condição civil ou clerical.
Se fossem membros da Companhia, obrigatoriamente o hábito da sua ordem, composto por sotaina preta de um corpo e mantéu preto sem gola nem cabeção. Este tipo de sotaina era uma túnica talar, de confeção singela, que tinha uma pequena carcela aberta entre a base do pescoço e o diafragma, pelo que se vestia e despia pela cabeça. Se não fosse de corte trapezoidal era o cabo dos trabalhos para conseguir enfiar os braços e deslizar o pano pelo corpo abaixo. E bem pior ainda seria para despir a dita cuja.
Se os graduandos fossem alunos de condição civil, teriam de escolher entre traje de loba ou traje de abatina, que se usava desde o dia da primeira matrícula pelo menos. Como se sabe, esta escolha só se tornou possível a partir de 1716-1718, altura em que a abatina se começou a generalizar como traje corporativo civilizado e progressista face à antiga loba.
Se fossem membros de outras ordens religiosas, logicamente que usavam os hábitos prescritos pela tradição e pelos estatutos (regras), os quais são referidos mas nunca verdadeiramente descritos em tecidos, feitios e dimensões.
Aspeto a não perder de vista, todos os eclesiásticos graduados podiam: misturar as científicas das várias ciências em que fossem graduados, tanto no capelo como no barrete, mas não nos aneis, tradição que ainda é mantida em Coimbra e nas universidades espanholas; dispensar o uso do capelo, usando apenas o barrete em todas as galas, cerimónias e arguições metido sobre o solidéu.


Questões dos leitores

Sou obrigado a confessar que ainda não percebi o facto de Santo Ovídio dever ser representado com as insígnias doutorais de Medicina e não com as de outra especialidade científica, como Artes ou Leis. Atendendo a que, segundo a sua hagiografia, Santo Ovídio não exerceu Medicina (ao contrário dos Santos Cosme e Damião), por que é que as suas insígnias doutorais deveriam ser da cor desta ciência? Estaria relacionado com o facto de ser invocado como patrono contra os males da audição e, desta forma, ser "médico celeste" junto dos seus devotos? Obrigado pelo esclarecimento. em
em 18-06-2018

Resposta:
Do ponto de vista da argumentação, tem toda a razão. A associação cromática às ciências médicas deveu-se apenas ao facto de se tratar de um santo com poderes curativos numa lógica providencialista das maleitas e das mezinhas. Há outros santos/santas que não aparecem com insígnias médicas mas apenas com os símbolos na mão ou ao colo, caso de Santa Ágata/Águeda com os seios numa taça, ou de Santa Luzia/Lúcia com os olhos numa bandeja.
Santo Ovídeo exibir insígnias de Teologia, Leis, Cânones ou Artes Liberais não faria sentido.
No panteão espanhol e mexicano os paradoxos ainda são mais enigmáticos. A maioria dos santos doutores da Igreja Católica não detentores de graus aparece com insígnias de Teologia (branco) ou de Teologia e Filosofia (branco e azul). No caso de São Tomás de Aquino é fácil, mas nos casos de Santa Teresa de Ávila, São João Nepomuceno e São João Escoto… temos umas quantas dúvidas e muito gostaríamos de saber quem terão sido os eclesiásticos que aconselharam os santeiros.
Para mim o caso português mais enigmático é o de Santo Ivo da Bretanha que na ordens terceiras franciscanas de Coimbra e Vila do Conde ostenta insígnias verdes de Cânones e em Ovar e no Porto borla branca e verde (Teologia e Cânones). E na irmandade de Mafra já confirmei insígnias verdes e vermelhas muito singelas (Direito Civil e Direito Canónico) para o mesmo santo. E na irmandade de Aveiro um capelo de modelo assaz pouco convencional, verde e branco!

quinta-feira, 19 de julho de 2018


Património indumentário da Martin-Wittemberg

Trajes de professores, membros do senado (reitoria) e oficiais da Martin Luther Universitat Halle-Wittenberg, fundada em 1502, na Alemanha.


Professor e membro da equipa reitoral com togas talares, diferentes tipologias e barretes e grandes colares, gravura de inícios do século XX, editada em 1914 em França (?).

Senado/reitoria em 2014, fotografias de Maike Glockner, https://www.campus-halensis.de/artikel/von-bildern-ringen-und-der-richtigen-religion/.


Cortejo público (festzug).




domingo, 3 de junho de 2018


O antigo traje corporativo do Colegio Mayor de Nossa Senhora do Rosário

Este colégio maior, com claustro docente, estudantes internos e licença para conferir graus em Teologia e Artes Liberais foi fundado em 1653 na cidade de Bogotá, Colombia, segundo o modelo dos colégios maiores da Universidade de Salamanca.
Os estudantes internos vestiriam hábito talar composto por loba de dois corpos, preta, e os das ordens religiosas ostentariam os hábitos prescritos nas respetivas regras.
Existem retratos de corpo inteiro dos reitores na sala dos atos. Nos séculos XVII, XVIII e inícios do século XIX eram os seguintes o traje corporativo e insígnias:
I - Hábito talar preto constituído por loba de dois corpos, uma sotaina de mangas estreitas e uma garnacha trapezoidal fechada, sem mangas, que se vestia pela cabeça. Alguns dos retratos reitorais documentaram as cavas para a saída das mangas e os punhos ornamentados com canhões de renda. Esta veste usava-se com e sem mantéu, sendo mais frequente o seu porte sem qualquer capa. Vestia-se sobre calções, meias pretas altas, polainas (no inverno) e camisa branca de colarinho raso. Em torno do pescoço inseria-se um colarinho branco, postiço, conhecido por volta branca.
Este traje era semelhante aos que se usavam nas universidades hispânicas da América, em Coimbra, Salamanca, Sevilha, Alcalá de Henares e outras universidades espanholas. Caído em desuso nos inícios do século XIX, apenas sobreviveria nos seminários católicos espanhóis e não em todos. Foi registado numa das suas últimas aparições em seminaristas do Seminario Mayor de Valencia, Espanha, por volta de 1960. A cor da sobreveste, conhecida em Espanha por manto, variava entre o preto, o castanho e o azul escuro.
II - beca de seda branca, que se assentava em V sobre os ombros, deixado pender as pontas até aos calcanhares. As becas antigas costumavam ter uma flor aberta numa das pontas, chamada rosca, cujo desenho era um tanto semelhante ao do epitógio francês. As cores variavam de escola para escola, mas as mais comuns eram o vermelho (rojo), o azul e o branco. A beca do CMNSR tinham um emblema bordado no lado esquerdo do peito com o símbolo da Ordem de Calatrava em linhas pretas.
Na década de 1950 a Tuna da Universidade de Salamanca parece ter recuperado a antiga beca, na cor científica de cada faculdade, com emblema bordado e pontas anormalmente curtas.
Em 1993 a Universidade Complutense recuperou esta insígnia, caída em desuso havia mais de cem anos, para a graduação da Infanta Cristina de Bourbon. Desde então muitas foram as universidades espanholas que integraram as becas de pontas curtas nas cerimónias de formatura.
A beca de pano vermelho foi usada em alguns seminários diocesanos portugueses e nos colégios reais e pontifícios de São Pedro e São Paulo da Universidade de Coimbra.
Diversos retratos de reitores, lentes e seminaristas hispano-americanos e espanhóis confirmam que as becas antigas tinham as pontas muito compridas, descendo até aos calcanhares.
A beca do CMNSR foi reformada no século XX, a nível do símbolo, mas ao contrário das espanholas continua a manter a tradição das pontas compridas. É usada hoje em dia por reitores e nas cerimónias de graduação da Universidade del Rosário.
III - Barrete preto de quatro picos, ornamentado com borla nas cores científicas das escolas onde o dignitário tinha adquirido a sua especialização. A maioria dos barretes dos reitores figura barretes pretos ornados com borlas constituídas por florões e franja de seda em branco (Teologia) e azul (Filosofia). No século XIX este barrete terá caído em desuso.


Retrato de corpo inteiro do Dr. Juaquín de León y Herrera (1712-1876), graduado em Teologia e Filosofia pelo CMNSR, galeria dos reitores da Universidad del Rosario, Bogotá, https://urartegrupo1.wordpress.com/page/2/. Foi lente de prima e catedrático de Filosofia no referido CMNSR, vice-reitor e reitor (1759-1763).

Volta branca aplicada sobre o colarinho da sotaina.

 Solidéu preto, próprio da condição de eclesiástico, que se usava mesmo com o barrete posto.

 Figuração das luvas e do punho da loba.

 Vista dianteira da beca com o símbolo da Ordem de Calatrava. Figuração da grande cava destinada à saída das mangas da sotaina.

O barrete colocado sobre credência e livros do conhecimento. Aspeto do florão barroco de quatro bolbos armado com segmentos de madeira revestidos de seda, nalguns casos com peças em ouro.

Retrato de corpo inteiro.