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quarta-feira, 6 de julho de 2016

Uma arqueologia dos hábitos de gala e librés grandes da UC (1905-1910)



 Doc. 1: hábito talar de lente. O traje dos membros do corpo docente era do mesmo corte e figurino para os lentes de todas as categorias e faculdades. Dividia-se em hábito talar ordinário e em hábito talar de gala. Para as grandes cerimónias, o tecido deveria ser a seda preta para a abatina e calções. A capa, de tipo mantéu grande, admitia tecidos próprios para inverno e para verão, rematando o colarinho com cordão de borlas. Nos contextos cerimoniais eram usadas insígnias dos graus, luvas, meias altas de seda e sapatos de pele de verniz com fivelas de prata. Nos finais da monarquia constitucional os lentes eclesiásticos continuavam a usar cabeção e volta e podiam optar por vestir o hábito talar romano que era considerado hábito académico supletivo nas universidades ibéricas e latinas. O hábito talar romano admitia as vestes das congregações regulares e as do clero secular, pelo que as cores em uso e os vivos eram autorizados.
Retrato do Dr. Luís da Costa e Almeida, decano da Fac. de Matemática da UC, com hábito talar e capelo, fotografado nos gerais das escolas. Não são visíveis a borla, as luvas e o anel. Abas dianteiras da capa repuxadas para a cintura e presas com as mãos, como era antigo costume.
Não existiam vestes nem insígnias distintivas para os membros da equipa reitoral, decanos das faculdades ou diretores de unidades integradas. Sendo os reitores lentes e graduados, usavam o hábito talar com borla solo. Sendo de nomeação governamental e externos à instituição, nas cerimónias apresentavam-se com  indumentária civil de gala ou com vestes corporativas associadas à sua profissão/títulos.
O hábito talar sem insígnias era usado para dar aulas teóricas e práticas. Os lentes podiam ir vestidos de casa ou fazer a muda de roupa num vestiário que existia na via latina, ao lado da sala dos atos grandes. Quando se encontravam devidamente ataviados, saiam do vestiário para os gerais com os bedeis na frente. As portas eram abertas e fechadas por contínuos de libré e as chamadas feitas pelos bedeis.

 Doc. 1.1: o reitor, representantes das faculdades e dos estudantes na apresentação de cumprimentos a D. Manuel II, Lisboa, 1908. Os decanos de Medicina, Matemática e Ciências Naturais com insígnias e hábito talar com calças compridas. Os representantes de Teologia e Direito com hábito talar de grande gala, em tecido de seda, com calções. O representante dos estudantes com hábito talar ordinário. O reitor, Alexandre Cabral, que era bacharel pela FD/UC, não pertencia ao corpo docente nem tinha insígnias do grau, apresenta-se com a farda de conselheiro de Estado.




Doc. 2: hábito talar de estudante, vulgo capa e batina. No final da monarquia constitucional, a norma estatutária e os estilos orais admitiam três modelos. O traje ordinário, que se vestia diariamente e com o qual se frequentavam as aulas e laboratórios, constituído por abatina de sarja ou lãzinha, capa, calças compridas, colete preto, camisa branca, gorro e sapatos pretos sem modelo definido. O traje de gala, em pano de seda, com botões forrados, volta e cabeção, meias calças de seda, calções e sapatos de verniz com fivela. O hábito romano, que podia ser trajado pelos alunos eclesiásticos. O traje de gala admitia capa de verão e capa de inverno, em tecidos de qualidade.
Em cima, duas fotografias do estudante e futuro político Ernesto Hintze Ribeiro, datadas de 1869 e de 1870 com hábito talar de gala, completado com pasta de luxo, usado desde as reformas de 1863 e até à legislação abolicionista de 1910 nos atos de formatura ou na colação do grau de bacharel.
Em baixo, alunos das Fac. de Teologia e de Direito com hábito de gala e pastas aguardam nos gerais a chamada para os atos. Fotografia de 1909 (?). Concluídos os atos (exames), os alunos aprovados colavam o grau de bacharel nas salas de aula no mesmo dia ou em data próxima. Chamados nominalmente, os alunos prestavam juramento, pediam o grau em latim, o mais antigo e/ou graduado recebia a borla na cabeça, subia à cátedra e proferia em nome do curso uma breve alocução. Não havia entrega de diplomas nem existiam os chamados anéis de curso. As cartas de curso eram posteriormente levantadas na secretaria, sem qualquer cerimonial.
Esta era a cerimónia oficial. À margem dela, os estudantes foram criando a récita de despedida, as baladas de despedida, o rasganço das vestes e os anéis de curso.

 Doc. 3: hábito de gala de secretário e mestre de cerimónias, que pelos estatutos deveria trajar de estudante. Até 1910 o mestre de cerimónias usou no dia a dia o traje de abatina com capa e calças compridas e nos dias de atos grandes abatina de seda preta com meias calças, calções, capa, luvas, cabeção e volta, sapatos pretos de verniz com fivela de prata, exibindo o bastão de prata.
Retrato de Manuel da Silva Gaio que se fez fotografar muito senhor de si na cadeira do reitor.

 Doc. 4: traje de mantéu ou de oficial maior, uma libré de corte usada com modificações pontuais desde o século XVI. No século XIX, sob o mantéu de bandas de cetim os funcionários vestiam casaca preta com punhos de renda e exibiam plastron à francesa (bacalhau). Em vez de espada era usado um punhal. No dia a dia, simples fato preto civil com mantéu.

 Doc. 5: traje de oficial maior adaptado aos bedeis das faculdades, cuja insígnia era a maça com roca e corrente. Este traje terá sido adotado no século XVIII, pois o que consta dos estatutos velhos é a loba e, comparativamente, nas irmandades e catedrais europeias os bedeis/maceiros usavam invariavelmente hábitos talares, embora no Vaticano tenha prevalecido o traje renascentista de meia abatina.

Doc. 6: o guarda-mor das escolas com libré de gala e vara.

Doc. 7: libré napoléónica de gala para archeiro, constituída por farda direita em lãzinha azul ferrete agaloada de prata: casaca e calções com bicórnio de pasta preta, tabalarte, espada e alabarda brunida.

Doc. 8: um aspeto do préstito académico em trânsito da Sé Nova para a UC com a presença de D. Manuel II (1908): archeiros em duas alas, oficiais maiores, charameleiros em traje civil, lentes de Filosofia Natural, etc.


Uma reportagem sobre a Escola Médico-Cirúrgica do Porto (1905)







Revista Serões n.º 1, julho de 1905


Hábito dos alunos/internos do Colégio dos Órfãos de São Caetano
(Braga)

Internos do Colégio dos Órfãos de São Caetano, cidade de Braga, fundado em 1791, com o traje corporativo em uso entre a segunda metade do século XIX e os inícios do século XX. Não se trataria de um balandrau nem de uma toga, mas da batina talar romana de um corpo, em preto, complementada por carcela vertical frontal, romeira preta amovível e canhões de bocamanga avivados de vermelho (?). São visíveis sapatos pretos de fivela de prata, que se usavam com meias calças e calções. Este vestido seria envergado com camisa branca, cabeção preto de duas abas (peitilho e dorsal) e volta branca. Sobre a romeira vem fixada uma beca de cetim/seda (?) vermelha (?) que se deitava em V sobre os ombros, rematada por duas compridas e esvoaçantes pontas que desciam pelas costas até à barriga da perna.
Este conjunto indumentário vem confirmar a presença de becas nas universidades do eixo península Ibérica/América Latina/Filipinas, seminários católicos e nalguns colégios católicos que recolhiam crianças órfãs ou abandonadas.
Não dispomos de  quaisquer dados sobre este traje que terá desaparecido em 1910 (?), do qual o mais certo é não terem sido preservados exemplares, e que antes do período liberal teria outra morfologia.
Fotografia publicada na revista Serões, n.º 6, dezembro de 1905.

quinta-feira, 16 de junho de 2016


Um artigo sobre o acervo da Aula-Museo do Instituto Profesor Dominguez Ortiz



Vestuario académico en el Aula-Museo del Instituto “Profesor Domínguez Ortiz”. El ceremonial histórico de la Segunda Enseñanza y su simbología
Prof. Dr. Miguel Mayoral Moraga
 Instituto “Profesor Domínguez Ortiz

terça-feira, 14 de junho de 2016

Retratos doutorais do Museo del Virreinato (México)



Retrato do cónego borlado e doutor em Cânones pela Real y Pontifícia Universidad (México) de Jacinto Olivera y Pardo (1662-1733), bispo de Chiapas (1712 e ss.).
Hábito episcopal, vendo-se em cima de uma mesa o barrete doutoral de quatro picos, forrado de preto, ornado com borla laureada, composta por franja de seda verde e florão sobreposto em capela de três níveis. Será um modelo manufaturado em finais do século XVII, ainda sem a capela floral barroca que vemos nalguma retratística de finais do século XVIII.
Tela existente no Museo del Virreinato, México, Mediateca/INAH, em linha


http://mediateca.inah.gob.mx/islandora_74/islandora/object/pintura%3A2270


Grande plano: barrete doutoral laureado com borla franjada e capela floral.





Retrato do bispo Andrés Ambrosio Lhanos y Valdés (1726-), formado em Retórica e Filosofia no seminário católico de  San José de Nueva Galicia, graduado in utroque iure (Cânones e Leis) pela Real y Pontifícia do México, reitor da mesma universidade. Veste hábito coral episcopal. Sobre mesa exibe a beca do seminário de San José e o barrete de graduado. Quadro a óleo datado de 1793. Dúvidas sobre as cores, que parecem ser vermelho (Leis) e azul (Filosofia).

Chapéus masculinos tibetanos usados em danças cerimoniais budistas. A chapelaria religiosa e política do Tibete/China atinge grande aparato no século XVIII, ostentando ornatos convergentes com soluções presentes nas insígnias universitárias iberoamericanas do período barroco.


 Retrato de Frei Antonio Claudio de Villegas de la Blanca (1700-1754), dominicano, qualificador a Santa Inquisição e bispo de Nueva Galicia. Era natural de Tialtelolco. Figura neste retrato com o hábito talar dominicano (túnica, escapulário, capelo e capa), exibindo na mão o barrete de mestre em Sagrada Teologia pela Real y Pontificia Univ. do México.
No grande plano podemos observar um bonete/barrete cartonado, forrado de pano preto de seda, com base redonda, encimado por quatro picos ou cornos que representam os quatro evangelistas e as quatro virtudes cardiais. Na parte central do barrete está atarraxada borla, com recurso a um parafuso metálico que atravessa verticalmente a copa e os bolbos da borla, tal e qual como nos chapéus cerimoniais dos mandarins e imperadores da China e nos barretes das universidades iberoamericanas. A borla é de seda branca, constituída por três partes complementares: a laurea de fiapos de seda, muito comprida, que desce da base da pega para a base do barrete em quatro fartas madeixas lisas (nos barretes barrocos a laurea ficava mais descida do que o rebordo inferior do barrete em cerca meio palmo); a pega ou maçaneta, formada por quatro bolbos de madeira afeiçoados num torno de carpinteiro, perfurados, forrados a fio de seda com agulhão e montados no parafuso, fechando superiormente com um florãozinho forrado; a capela floral, armada com três envoltas de florinhas forradas de fio de seda e dispostas em torno da pega. Na segunda metade do século XVIII o barrete da Real y Pontificia do Mexico ganhará um aparato barroco ultra ornamentado, semelhante às capelas exibidas por dançarinos em números da procissão do Corpo de Deus.
O retratado não exibe o capelo, por se tratar de um dignitário eclesiástico.
Na base de dados do INAH este retrato está trocado com o de Juan Pérez de la Serra.


 Dois exemplos de capelas florais armadas como florinhas artificiais (hastes, florinhas com quatro pétalas e corola), ornamentação aplicada nas coroas de prata do Divino Espírito Santo, ilha Terceira, Açores.

domingo, 8 de maio de 2016



«Traje masculino/estudante de Coimbra», fotografia n.º 21 da exposição realizada em Lisboa entre 7 de abril e 31 de dezembro de 1994 e catálogo Trajes Míticos da cultura tradicional portuguesa. Lisboa: Museu Nacional do Traje/Electa, 1994, p. 165, com texto de apresentação da coleção assinado pela museóloga Madalena Braz Teixeira.
Os manequins 21 e 22 foram vestidos com peças de indumentária e acessórios de diferentes proveniências, guarda-roupa da companhia de teatro Verde Gaio e doações de particulares. No catálogo e na exposição, inscrita num registo erudito e de reprodução de conhecimentos positivistas não confrontados com trabalhos de campo e pesquisa universitária, este traje é conotado apenas com a Beira Litoral e com os estudantes de Coimbra.
Perpetua-se assim, sem discussão, um discurso de malas artes herdado da etnografia descritiva oitocentista (litografias e postais ilustrados) que se consolidara no período do Estado Novo nos serviços de oferta turística e organismos oficiais como o SNI, a Mocidade Portuguesa ou o bailado Verde Gaio. A reprodução de um estereótipo masculino/feminino que simbolizaria o património indumentário popular da cidade de Coimbra e da região em que se insere. Não fica esclarecido que esta conjugação binária é falsa, resultando da associação arbitrária e fantasiosa de um traje feminino urbano da segunda metade do século XIX com um hábito corporativo masculino estabilizado entre 1907-1911, e entretanto generalizado aos liceus e escolas superiores entre o ocaso do liberalismo e os anos da 1.ª república. Resta saber porque é que este traje concreto foi inventado como popular e outros com profunda inscrição no imaginário ficaram excluídos, caso do balandrau dos irmãos da Santa Casa da Misericórdia, das capas e túnicas das irmandades, da capa dos vereadores, dos trajes de músicos de bandas filarmónicas.
Em nossa opinião, o MNT perdeu uma boa oportunidade para promover uma síntese história sobre os trajes masculinos e femininos dos estudantes portugueses e denunciar as mistificações produzidas até ao limite do absurdo sobre este traje corporativo no período do Estado Novo.
Perdeu-se também a oportunidade de produzir conhecimento sobre alguns pequenos mas importantes pormenores das peças doadas, caso de uma capa anterior a 1974 que ostenta um emblema cosido no interior que remete para a Real República dos Lysos (UPorto, Rua de António Granjo, fundada em 1957). À data da concepção e realização desta exposição o traje masculino de capa e batina já não era mais o único traje dos estudantes portugueses do ensino superior. Um ciclo de criação e regulamentação de novos e diferentes trajes corporativos estava em curso desde 1980 para membros de corpos docentes e discentes, com predomínio do talar unissexo no primeiro caso e do fato/tailleur dimórfico no segundo caso. Nada disto fica referido ou esclarecido.
A master piece desta exposição radicou elaboração do catálogo/inventário de 46 peças, um instrumento positivista clássico que evidencia os conhecimentos dos técnicos da idade clássica da museologia, mas também os seus limites quando se trata de identificar e descrever elementos da cultura material provenientes de comunidades expressivas desconhecidas ao olhar e às categorias mentais do museólogo. Veja-se o caso da subjetivização da abordagem conferida à capa de honras (Trás-os-Montes), ao capote (Alentejo) e ao capote e capelo (Açores) para se perceber que algumas dessa peças de indumentária não tinham de todo o significado que lhes é atribuído pelo museu. Inventar significados também é produzir cultura, mas não é produzir conhecimento no campo das ciências sociais e humanas, significa apenas que quem musealizou não percebeu o imaginário das comunidades de prática.

sábado, 2 de abril de 2016



O escritor Mia Couto honoris causa em humanidades e literatura pela Universidade Politécnica de Maputo, setembro de 2015.
Fotografia de António Silva, em linha, http://www.independenciaslusa.info/mia-couto-apela-aos-politicos-mocambicanos-para-nao-usarem-povo-como-carne-para-canhao/

Traje e insígnias patenteando tendências hibridizantes: indumentária de base influênciada pelo modelo conimbricense abatina+capa em tecido preto, de confecção simplificada; capelo vermelho, a remeter para o mundo académico anglo-saxónico, com possível influência de universidades da África do Sul; barrete de veludo preto, gomado, ornado com galão azul e cordão de borla em dourado, de modelo luterano, comum a diversas universidades germânicas.

Cerimónia honoris causa na Universidade Federal de Pernambuco






Nelson Lima: Professor Honoris Causa pela /of the Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)

No dia 18 de Março, realizou-se a cerimónia de imposição de insígnias de Professor Honoris Causa pela Universidade Federal de Pernambuco (Recife, Pernambuco, Brasil) ao Prof. Nelson Lima, Diretor da Micoteca da Universidade do Minho (MUM) e Presidente da Organização Europeia de Coleções de Culturas (ECCO), como reconhecimento pela sua dedicada colaboração ao desenvolvimento da Micologia e da preservação ex situ dos recursos genéticos fúngicos no Estado de Pernambuco.

A Reitoria da Universidade do Minho esteve representava pelo Pró-Reitor Prof. Filipe Vaz e a Presidência do Instituto de Educação representada pela Prof.ª Graça S. Carvalho, que acumulou, igualmente, a representação do Departamento de Estudos Integrados de Literacia, Didática e Supervisão e como Diretora do Centro de Investigação em Estudos da Criança. O Centro de Engenharia Biológica, onde o Prof. Nelson Lima é membro integrado participou no evento através de uma vídeo-mensagem enviada para o efeito pelo seu Diretor Prof. Eugénio Ferreira.

Várias Instituições Brasileiras e a Universidade de La Frontera do Chile estiveram presente, fruto das colaborações existentes entre elas e a Micoteca da Universidade do Minho. A Federação Mundial de Coleções de Culturas (WFCC) esteve representada pelo membro da Direção Executiva Dr.ª Manuela da Silva, Assessora da Vice-Presidência de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Fundação Oswaldo Cruz/FIOCRUZ, Rio de Janeiro, Brasil. 

Vários projetos de investigação têm sido desenvolvidos entre os dois lados do Atlântico, bem como tem sido constante a colaboração na formação intensiva e avançada de pesquisadores ligados ao programa de pós-graduação em Biologia de Fungos.

Durante a solenidade, também foram celebrados os laços históricos de cooperação e do convénio específico entre a Micoteca da UMinho e a Micoteca URM. A Micoteca da UMinho através da sua Direção tem contribuído ativamente, já há vários anos, para o desenvolvimento da Micologia em Pernambuco, onde se destaca, mais recentemente, o apoio à reforma das novas instalações da Micoteca URM, através de consultoria do projeto FINEP, e ao processo de certificação na ISO 9001:2008, permitindo à URM ser a 1.ª coleção certificada neste normativo no Brasil e em toda a América Latina.



Informação enviada pelo Prof. João Caramalho Domingues
(22.03.2016)

sexta-feira, 1 de abril de 2016



Um estudante universitário no seu quarto, pintura do artista holandês Jan Davitsz de Heem (ca. 1606-1684), acervo do Ashmolean Museum of Art and Archeology/Orford. Indumentária civil da primeira metade do século XVII.

sábado, 26 de março de 2016



Retrato de corpo inteiro de Santa Teresa de Ávila como doutora da Igreja. Enverga hábito feminino carmelita composto por hábito castanho, capa branca e coifa. Está adornada com as insígnias doutorais de sagrada Teologia, a saber: capelo doutoral de dupla murça, sendo a interior preta e a exterior branca, ornado de quatro jogos de alamares dourados, não sendo apercebível o capuz posterior; barrete doutoral de quatro picos, de estrutura cartonada forrada de seda preta, com laurea de seda branca e florão central agaloado a ouro.
Imagem divulgada pelo P. Eduardo Sanz Miguel, http://padreeduardosanzdemiguel.blogspot.pt/2015/01/las-carmelitas-descalzas-de-murcia.html, que não refere a localização do quadro (Múrcia?).

quinta-feira, 24 de março de 2016



Postal ilustrado circulado em 1911 com o selo da 1.ª República, mas utilizando fotografia anterior (década de 1880). Documenta o hábito talar de cerimónia do secretário e mestre de cerimónias da UC constituído por abatina preta avivada, de carcela dupla, capa de tipo mantéu, sapatos de fivela, calções, meias de seda, luvas brancas e bastão de prata.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016


Retrato de magistrado francês, início do século XX, postal.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Portugal, carnaval de 1924. Fantasia com três figurantes que muito forçadamente procuram imitar indumentária de tricanas de Coimbra e de um estudante. A composição é marcada por anacronismos, fantasia e pela convicção enraizada de que o traje académico era um traje folclórico. Anos mais tarde seria mesmo integrado nas coleções do Museu de Arte Popular.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Imagens sacras de São Damião e São Cosme, madeira entalhada e policromada, 2.ª metade do século XVII, retábulo barroco na igreja-oratório del Rosarillo, Valladolid/Espanha.
Fotografia de Javier Baladrón Alonso, publicada em http://artevalladolid.blogspot.pt/2013/02/el-hospital-y-la-iglesia-del-rosarillo_21.html
Traje talar semelhante ao representado noutros tempos espanhóis dos séculos XVII e XVII, de meia loba aberta, sem insígnias.

Insígnias que foram: um pouco de Santo Ivo para assinalar um fim que se adivinhava

Santo Ivo, Doutor em Direito canónico, com hábito talar de loba e mantéu e correspondentes insígnias doutorais: capelo verde, com alamares e capuz; livro e barrete preto quadrado com borla curta e franjas laureadas em seda verde. Escultura sacra em barro, policromada, proveniente de oficina portuense do século XVIII. Acervo do Museu de Aveiro/Portugal.
Fotografia de J. Baeta

Divulgamos esta imagem no ciclo de fim de tempo das insígnias doutorais da Univ. de Coimbra cujo modelo barroco deixou de ser confeccionado desde pelo menos 2012 devido ao preço incomportável do conjunto e ao desaparecimento de artesãs interessadas em aprender a arte de passamanaria e sirgaria em fio de seda.
Este desfecho já era previsível há vinte e cinco anos, quando um grupo de cidadãos interessados refletiu sobre o problema e procurou encontrar soluções sustentáveis para um fim que já se adivinhava irreversível caso não fosse definida no curto prazo uma política institucional-patrimonial proativa .
Alguns desses moicanos não pertencem já ao mundo dos vivos e outros desligaram-se completamente da questão para não serem tomados por loucos. E haveria outro caminho possível perante tanta inércia e ingratidão?
Façamos uma breve retrospectiva.
No seguimento das grandes revoluções liberais, as universidades europeias e as que tinham sido fundadas por antigas potências coloniais procederam à laicização e simplificação estética dos trajes corporativos e insígnias. Em Espanha, a reforma aconteceu em 1850, e passou pela abolição do uso das antigas insígnias barrocas e do traje de figurino eclesiástico. No final, o conjunto generalizado em todas as universidades públicas ganhou aspeto judiciário. O mesmo aconteceu com as universidades italianas e francesas. Nas universidades anglo-saxónicas não se procedeu a qualquer reforma conhecida. Estes países não sofreram processos fracturantes de laicização e separação entre o estado e as igrejas entre os séculos XVIII a XX. Os trajes e as insígnias já tinham sido simplificados anteriormente, tal como nas universidades escandinavas. Já na Polónia, na Hungria e na República Checa, os trajes e insígnias mantiveram sobrevivências do legado religioso e monárquico.
O Brasil dividiu-se entre o paradigma judiciário (trajes corporativos) e a herança conimbricense da borla e capelo. Contudo, naquele país, assinala-se desde a década de 1950 uma crescente dificuldade em confeccionar as insígnias segundo a arte, proliferando na atualidade modelos mais um menos livres nos diferentes estabelecimentos de ensino superior. De todos os casos conhecidos, a Universidade de São Paulo será a instituição que procura manter proximidade com a Alma Mater Conimbrigensis.
Em Portugal, nem o governo da 1.ª República determinou a reforma dos trajes e insígnias conimbricenses, embora não se identificasse com eles por suspeitar da sua proximidade com a herança católica e barroca, nem a universidade tomou a iniciativa de fazer a reforma. O que a UC fez em 1915-1916 foi uma reforma que não é reforma: nada decidiu para os estudantes em matéria de vestes, insígnias e cerimónias de graduação; quanto ao corpo docente, optou por  simplificar o traje masculino anterior, sem aprovar matéria relativa ao traje feminino, e manteve as antigas insígnias barrocas setecentistas. Dois anos volvidos, em 1918, o titular da pasta da educação aprovou um estatuto universitário que procedia à consagração desse modelo de insígnias doutorais nas três universidades então existentes em Portugal. Quanto a insígnias para bacharéis e licenciados, nem uma palavra. Não se percebe porque é que o governo republicano ficava tão incomodado com o cerimonial universitário, quando na mesma conjuntura se entendia muito bem com o protocolo militar e assistia sem complexos às cerimónias da Academia Militar e da Academia das Ciências.
Com os movimentos estudantis dos anos sessenta, o sistema simbólico académico tradicional sofreu um grande abalo principalmente nos países influenciados pela URSS e pela herança da Revolução Francesa.
Depois dos anos setenta verificam-se as mais insólitas experiências: mundialização do modelo norteamericano; invenção de trajes e insígnias sobretudo nos antigos países de leste; realização de eventos académicos sem quaisquer símbolos exteriores; progressivo abandono da influência conimbricense.

quarta-feira, 10 de junho de 2015

Uma série de Abel Manta




«Oito lentes», conjunto de oito gravuras de João Abel Manta sobre professores universitários portugueses trajando hábito talar e insígnias doutorais (borla e capelo). Desconhece-se o contexto de produção e o significado atribuído a algumas das cores utilizadas. Alusão a professores universitários portugueses que colaboraram com o Estado Novo? Imagens editadas no catálogo «João Abel Manta 1969-1975». Lisboa: Edições O Jornal, 1975.

quinta-feira, 4 de junho de 2015

Barrete doutoral/birrete doctoral/Doctoral birreta in Sacra Teologia da imagem de Santa Teresa de Ávila, próprio para exibição na procissão realizada em Tormes/Espanha.
Barrete redondo (pileus rotundus) armado em estrutura cartonada, com quatro faces oblíquas, fundo abaulado e quatro arestas/picos. Forrado de veludo preto (terciopelo) bordado a fio de ouro com motivos florais e vegetalistas. Borla doutoral de aparato distribuída por quatro franjas pendentes em seda dourada (laurea), fixadas na base de um florão revestido ou pega. Corolas ornamentadas com joias embutidas.
Este trabalho foi realizado pela irmã Cándida María de Jesus no mosteiro da Anunciación Carmelitas Descalzas, em Alba de Tormes/Espanha, por volta de 1902, e segue no essencial a antiga tradição dos barretes universitários hispanos.
Origem da fotografia: http://www.carmelitasalba.org/portfolio-items/birrete-procesional-de-santa-teresa/

quinta-feira, 7 de maio de 2015

Uma função (1907)


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Reportagem de Florêncio Terra sobre "Os impérios do Espírito Santo" nas ilhas do Faial e do Pico, arquipélago dos Açores, com recolha de imagens em maio-junho de 1907. Publicado na revista Ilustração Portuguesa n.º 73, de 15.07.1907