sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Estatueta de Afonso Costa (1915)

Estatueta de vulto em prata do jurisconsulto e estadista Afonso Costa encomendada em 1915 pelo industrial portuense José Carneiro à casa Monteiro & Filhos, com sede no Porto.
Afonso Costa enverga a toga de advogado à moda do Porto, veste talar com características morfológicas e ornamentais distintas do modelo geral que tinha a sua implantação do Mondego para baixo. Trata-se de uma homenagem ao estadista e de uma rememoração fidedigna dos anos em que Afonso Costa manteve escritório de advogado na comarca do Porto com o seu antigo aluno e depois companheiro de aventura Germano Martins.
Caraterísticas gerais, comuns às demais togas de advogado: toga talar de um corpo, em tecido preto, confecionada com base em seis panos unidos por costuras, sendo estes as costas, o cabeção, os dois panos dianteiros e as duas mangas.
Caraterísticas específicas: a) o pano das costas é inteiriço, não comportando saio dorsal nem qualquer cós com pregas. O pano fixa na base do colarinho e nas costuras dos ombros, caindo na vertical com efeito trapezoidal. Noutra variante, o pano das costas é unido a um corpinho, formando um cós pregueado a toda a volta do tronco; b) a manga é talhada em cone (boca de sino), mas não leva quaisquer machos, no que segue a tradição francesa. A bocamanga remata com canhões altos, de cetim preto, que prendem com jogos de seis alamares (3 pelo lado de fora, 3 pelo lado de dentro); c) os dois panos dianteiros são inteiriços, embora tenham coexistido variantes com saio. Estes panos encostam um ao outro na frente, verticalmente, mas não são ligados por carcela. A toga fecha, isso sim, com 3 jogos de rosetas/alamares pretos (que na toga de grande gala são vermelhos, cor do Direito). Estas rosetas são exatamente iguais às que se usavam na veste talar da Escola Médico-Cirúrgica do Porto/Universidade do Porto. Nem sempre os advogados radicados na comarca do Porto usavam os 3 jogos, havendo registo de alguns que se ficavam pelos dois; d) não era comum a todos os advogados, mas foram sinalizadas situações ornamentais nas quais a toga trazia preso no ombro esquerdo um epitógio preto, com duas tiras de pano e uma roseta. Segundo testemunho de jurisconsulto conhecedor, o epitógio simbolizava a relação de confiança estabelecida entre o patrono e o cliente nas idas a juizo.
Este modelo de toga à moda do Porto está praticamente caído em desuso, dele se lembrando apenas alguns advogados idosos que por seu turno também passaram a usar a toga de modelo geral aconselhada pela Ordem dos Advogados.
Desconheço se terá sido mera coincidência, mas em 2010 a presidência do Instituto Politécnico de Lisboa aprovou um modelo de toga institucional fortemente parecido com o aqui retratado.
Fonte: Ilustração Portuguesa n.º 503, de 11.10.1915

2 Comentários:

Blogger Ana Brito disse...

Bom dia! Poderia informar-me sobre as dimensões desta peça? Agradeço antecipadamente.
Com os meus cumprimentos
Ana Brito

26 de março de 2017 às 02:42  
Blogger Virtual Memories disse...

Dimensões desconhecidas, possivelmente 15 a 20 cm de altura.

26 de março de 2017 às 04:34  

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