domingo, 11 de agosto de 2013

O Museu da Justiça do Rio de Janeiro (2013)

Vídeo-reportagem «Dr. Pintassilgo 2013» sobre o antigo Palácio da Justiça do Rio de Janeiro e atual casa mãe do Museu da Justiça do Estado do Rio de Janeiro, com depoimentos de  Jorge Luís Rocha da Silveira (Diretor da Divisão de Acervos) e Antônio Carlos Romão (Diretor do MJ-RJ). Integra informação sobre a ação educativa e patrimonial em estreita relação com os contextos epocais, a cidade e os desafios contemporâneos.
O antigo Palácio da Justiça do Rio de Janeiro é um edifício revivalista construído após a 1.ª Guerra Mundial, que testemunha o profundo enraizamento de referentes culturais eruditos, conservantistas e figurativos entre as comunidades ocidentais de jurisconsultos. Estes padrões culturais são comuns aos países da Europa continental e da América. A casa da justiça da idade clássica é um palácio monumental, repleto de obras de arte, que testemunha no seu exterior e nos espaços interiores a consagração constitucional do Poder Judiciário como um poder de estado. Os palácios de justiça da idade clássica construídos ou adaptados para o efeito na mesma época em França, Itália, Espanha, Portugal e Brasil apresentam entre si traços de semelhança:
-generosa presença de elementos clássicos, neoclássicos ou ecléticos em fachadas, janelas, pórticos, escadarias, átrios, pátios interiores, passos perdidos, salas de audiências singulares e de júris (os palácios de Justiça de Bruxelas, Paris e Roma são visitados e imitados pelos arquitetos);
-profusa convocação das chamadas artes plásticas maiores (pintura a fresco, escultura de vulto e bustos, óleos sobre tela, painéis de azulejo, vitrais polícromos) em madeiras entalhadas, pedra e bronze;
-especial atenção conferida a programas oficiais de artes aplicadas ou artes decorativas, abrangendo mobiliário de estilo em madeiras nobres, lustres de tectos, ferros forjados artísticos (portões, corrimões de escadas, elevadores), tectos armados em madeira ou estuques, painéis, balaustradas;
-tão elevado investimento em arquitetura e artes plásticas tinha como função afirmar publicamente o prestígio, a solidez e a credibilidade do Poder Judiciário e dos seus agentes e, consequentemente, do Estado; simultaneamente servia para impressionar os cidadãos, inspirando-lhes temor e vontade de respeitar a ordem vigente;
-os palácios de justiça da idade clássica são um misto de palácio real, casa da ópera, grande teatro e templo, propondo uma criteriosa divisão entre espaços públicos e espaços reservados onde a circulação era restrita;
-à semelhança dos palácios reais, óperas, teatros e salões de baile dos transatlânticos de luxo, os palácios de justiça concentravam o investimento artístico em três espaços de maior solenidade: a fachada principal, o átrio/vestíbulo de honra e a sala de audiências do grande júri.
 Este tipo de investimento é percetível em Portugal num edifício construído na mesma época dos edifícios do Rio de Janeiro e de São Paulo, o Palácio da Justiça de Coimbra. Mas não chega a atingir o aparato e o esplendor artístico visível nos edifícios do Rio e de São Paulo, cujas salas de grande júri são para todos os efeitos os usuais num templo católico e numa casa da ópera/teatro com coro baixo, coro alto, tribunas/camarotes e palco/capela mor.

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