quarta-feira, 7 de setembro de 2011


Modelos masculino e feminino do chamado "Traje Mazzantino", adoptado pela direcção da Associação de Estudantes do Instituto Superior Politécnico de Tomar em 19 de Maio de 1993, com uso conhecido nas tunas de estudantes daquele estabelecimento de ensino.
Infelizmente, a informação disponível no ciberespaço sobre este traje estudantil é escassa. Fazendo fé nos poucos dados obtidos, este traje terá surgido em 1993, tendo sido proposto por elementos da direcção da associação de estudantes e por um grupo de estudantes que na altura se mobilizou para o efeito. A inspiração terá sido colhida ecleticamente no traje de equitação à antiga portuguesa (último quarto do século XIX) e no traje domingueiro dos lavadores ribatejanos da época referenciada.
O modelo visualizado suscita-nos alguns comentários:

1-parece tratar-se de um dos primeiros neo-trajes estudantis adoptados de raiz nos estabelecimentos de ensino superior pós Revolução de 1974, logo após a decisão dos estudantes da Universidade do Minho (Traje do Tricórnio: 1990);
2-a opção pela criação e/ou invenção de um traje estudantil diferenciado inscreve-se num movimento policultural e multicultural que já não se identifica com os paradigmas identitários clássicos que buscavam parecer-se ao máximo com as tradições dos estudantes da Universidade de Coimbra e com a Capa e Batina;
3-não está suficientemente claro nesta opção, se se trata apenas de um traje de tuno/tuna ou de um traje de uso generalizado a todos os estudantes das escolas federadas no ISPT;
4-trata-se de um traje de raizes difusas, revivalistas e ecléticas, que remete para o "traje à portuguesa" e para o "chapéu à Mazzantini";
5-essas raizes difusas expressam-se na pouca consistência histórica e etnográfica dos elementos vestimentários. Em rigor:

-embora se evoque o nome do mítico toureiro espanhol D. Luis Mazzantini (1856-1926) para a raiz do chapéu consagrado em 1993, o modelo de feltro semi-mole visualizado parece apontar para uma abordagem flexível do chapéu de equitação à portuguesa (o Mazzantini é em feltro rígido, de copa cilindriforme, fundo plano, aba dura debruada a gorgorão e fita de seda com 3 botões de través);
-a capa preta parece corresponder ao modelo vulgar de lãzinha usado pelos estudantes de Coimbra e não ao capote domingueiro por vezes exibido como abafo pelos estudantes das antigas escolas de agricultura, praticantes de equitação e lavradores abastados em traje de ver a Deus (capote comprido, com golinha de veludo ou raposa e romeira deitada pelos ombros);
-o traje é dimórfico, ou seja, consagra explicitamente modelos distintos para o sexo feminino e para o sexo masculino, solução tomada num ciclo da cultura portuguesa marcado pela indumentária unissexo;
-o traje consagra peças masculinas (calças compridas) e femininas (saia) numa época em que os uniformes policiais e militares passaram a admitir uniformes femininos com calças compridas;
-o traje adoptado parece reflectir influências ecléticas de radicação geográfica incerta, possivelmente marcadas pela globalização (cinema, televisão). De salientar as semelhanças da froca feminina e do feitio da saia com os trajes de hospedeira adoptados por companhias de aviação civil nos finais da década de 1950 e na década de 1960. Ainda hoje podemos encontrar modelos de corte algo familiar na Air France, na Aerolineas da Argentina, nos Emirados Árabes Unidos ou na India (v.g, Banglore Aviation). A froca masculina, ligeiramente mais comprida do que a feminina, parece apontar para modelos avistados na indumentária da Air Tahiti, em trajes de acompanhias indianas e no traje tradicional chinês masculino Tang;
-após a longa abolição dos ornatos e dos bordados na indumentária masculina ocidental urbana, o Traje Mazzantino regista um como que comedido regresso à aplicação de ornatos, aqui com alamares sobre o peito das frocas;
-os dados disponíveis não permitem concluir se se trata de um traje de uso corrente, correspondente ao antigo pequeno uniforme, de um traje multiusos ou de um traje de gala (antigo grande uniforme).
-seria importante descobrir se na época da criação deste traje, ou em momento posterior, foi publicada alguma memória descritiva, regulamento de uso ou desenhos de apoio à confecção;
-gostaríamos de obter informação mais aprofundada sobre o protocolo de uso do Trajo Mazzantino [normas associadas ao vestir, contextos de uso, porte do chapéu e da capa em determinados edifícios e eventos, aposição de emblemas e distintivos].
Fonte: http://pt-br.facebook.com/pages/Traje-Mazantino/201035039931340?skwall.

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