sábado, 12 de novembro de 2011

Abertura da Exposição Portuguesa no Rio de Janeiro. Sala dos Braganças, Secção de Belas Artes, onde foi montado um dossel para o Imperador D. Pedro II presidir ao acto inaugural.
Durante o processo de industrialização oitocentista, emerge um novo tipo de actos sociais e económicos ligados à indústria e à afirmação das actividades comerciais: exposições universais, feiras de promoção de produtos, cerimónias de inauguração de estações ferroviárias ou de centrais de abastecimento público de água. Ontem como hoje procuram associar-se os nomes dos governantes às festas de inauguração. Estas constituem importantes momentos de comunicação entre a comissão organizadora/empresa e os públicos, apontando para critérios próprios que não se diluem no conceito tradicional de cerimónia monárquica ou religiosa católica: rapidez, sobriedade, gasto controlado, identificação da gestão do tempo com produtividade laboral indexada a horários fixos.
Pode então afirmar-se que o «protocolo empresarial» surge espontaneamente no século XIX, acompanhando de perto a revolução industrial, os certames de promoção de produtos, a premiação de inventos tecnológicos e patentes, o culto das capacidades dos engenheiros e a publicidade associada ao funcionamento dos novos hotéis, termas, empresas transportadoras (caminhos de ferro, barcos a vapor, eléctricos sobre carris).
 Não existe ainda uma reflexão teórica sobre o que é ou pode ser protocolo empresarial. Mas já se sabe para que serve. O seu lado mais visível e sedutor anda confundido com a publicidade. A consciência da sua necessidade e do querer fazer bem para agradar aos clientes e firmar lucros leva os promotores de eventos a aproximar-se intuitivamente do cerimonial monárquico (que constituía o referencial) e do aproveitamento dos ensinamentos contidos nos manuais de civilidade e boas maneiras.
O século XIX foi o tempo do protocolo empresarial como prática empírica. A escassa industrializaçao portuguesa poderia fazer supor que o protocolo empresarial não existia, mas a documentação iconográfica produzida na época prova exactamente o contrário.
Fonte: O Occidente n.º 44, de 15.10.1879

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