quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Belíssimo retrato do padre e missionário jesuíta Pieter Jan de Smet (1801-1873), de naturalidade belga, com a clássica roupeta e o barrete que tem no centro da copa um losango rígido e não o comum pompom. Desde o século XVI que o hábito talar dos membros da Companhia de Jesus era a roupeta de um corpo, uma espécie de túnica preta singela que tinha uma pequena carcela rasgada entre a base de colarinho e a linha do diafragma. As mangas eram lisas, cilindriformes. À semelhança dos demais hábitos dos clérigos seculares não tinha feitios nas costas (nem saio, nem machos, nem pregas, isso eram as batinas). Como facilmente se depreende, a a roupeta vestia-se e despia-se pela cabeça. Para cobrir a cabeça usava-se o barrete quadrangular, despojado de borla, e um chapéu de cartão forrado de tecido preto, com copa plana e aba de meio saturno. O abafo era desde o século XVI a capa preta talar (meio círculo), com clarinho raso, a que os espanhóis chamam indevidamente mantéu espanhol, quando tal atavio foi usado em Espanha, França, Itália, Portugal, sendo ao presente a capa dos lentes da Universidade de Coimbra.
Havia quem chamasse a roupeta de sotaina, designação de aceitar caso se pretenda que era veste de trazer por baixo de um abafo. Em todo o caso, há que ter muitas cautelas com a flutuação das designações dicionarizadas. Veste praticamente igual à sotaina dos jesuitas ainda se vê em Itália, nos padres da região de Milão, levando ali o designativo de batina ambrosiana. Bem, ou é batina ou é sotaina. As duas coisas é que não pode ser. A batina, ordinária ou de gala, é a romana. O que se chama de ambrosiana não é batina mas sim sotaina ou roupeta. Pelas fotografias que conheço, a ambrosiana não parece ter saio e a carcela é talhada sobre o peito, pelo que se deduz que seja de vestir pela cabeça. Vestes semelhantes à sotaina dos jesuitas e à chamada batina ambrosiana estão fartamente registadas pelo abade de Thiron (Album historique des costumes religieux, 1860): irmãos conversos do Monte-Cassino, irmãos hospitalários de Burgos (aqui com carcela rasgada nas costas), cónegos regulares de Santo António (gravura não inteiramente explícita), irmãos somascos, oratorianos italianos, barnabitas, doutrinários, clérigos regulares de assistência aos doentes (com cruz na capa e no peito), clérigos regulares das escolas pias, padres da doutrina cristã, congregação dos padres da missão.
Nas missões do Oriente, os jesuítas vestiam um hábito talar distinto do ocidental e cobriam a cabeça com uma barrete de feitio chinês.

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