sexta-feira, 30 de julho de 2010


A coruja de Minerva
Estamos nos túneis do metropolitano e aproximamo-nos da Cidade Universitária de Lisboa. Nas obras de 1988, a pintora Vieira da Silva recebeu uma generosa encomenda de painéis de azulejo para esta estação. A ave de Minerva, que simboliza o saber e a vigilia meditativa que conduz à produção do conhecimento, anuncia a transição dos espaços. Ao sairmos do túnel, desembocamos nas imediações do palácio reitoral, síntese dos saberes construídos e reproduzidos em todo o complexo pavilhonar. Há uma atmosfera de sacralidade comedida que, no caso específico da reitoria, remete para a ideia de templo do saber ou de morada da matria do saber, Minerva.
Os pórticos da reitoria e da aula magna são majestosamente demarcados e o acesso impõe um percurso ascensional, cuja função M. Eliade evidenciou. Os registos artísticos assentam numa metalinguagem que podemos considerar património comum às universidades de raiz ocidental.
As artes aplicadas no edifício da reitoria não evocam propriamente personagens ou representações dos saberes do século XX. A narrativa pensada e aprovada oficialmente pela comissão radica na convocação sistemática de motivos heraldísticos (distinção, capital de nobreza), figuras da mitologia greco-romana (os arcanos dos saberes clássicos), alusões a uma filiação genealógica avoenga (o selo dionisiano e a questão do Studium General) e re-invenções dos saberes universitarios.
Estas obras de arte destinavam-se a afirmar publicamente a imagem corporativa da instituição, a inculcar sentimentos de temor reverencial e a ensinar uma história apoiada na visualização imediata (arte figurativa) e na leitura (legendagem epigráfica).

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