terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Mantilha e coca e mantilha: pura e simplesmente inesperado e fantástico!
Camponesas de Sarnadas, concelho do Fundão, fotografadas em 1904 com abafos quinhentistas. Num caso a mantilha semelhante à usada em Monsanto, Porto, Viana do Castelo e noutras localidades assinaladas pelos etnógrafos. Noutro, a coca ou bioco do mesmo modelo que foi usado pelas mulheres da cidade de Coimbra até finais da década de 1850. No mundo rural posicionado no aro temporal que vai do século XVI aos finais da 2.ª Guerra Mundial as mantilhas de arco, os mantos (conforme Ilha Terceira e sul de Espanha), os capotes e capelos (Açores, Itália, Países Baixos), os biocos (Algarve) e as cocas (Coimbra, Fundão) foram as vestes femininas de maior dignidade social, apenas com elas ombreando a capa de honras de terras de Miranda e o muito mais tardio capote alentejano. Na voz dos alvitristas urbanos, as mantilhas representariam um mundo obscuro a erradicar. No mundo rural, as mantilhas eram sinal de poder, credibilidade e abastança.
Fonte: O Occidente n.º 918, de 30.6.1904

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