terça-feira, 8 de agosto de 2017


Abafos próprios do hábito talar em estilo romano

Nos países católicos mais diretamente influenciados pelo código vestimentário da corte pontífica romana, os abafos próprios para completar as vestes talares eram as capas talares (ferraiolo, ferraiolone) e os capotes (tabarro). A primeira era uma capa talar de bom pano como a seda, comportando um corpo central que se plissava na costura do cabeção, duas gigantescas bandas dianteiras que se dobravam na vertical à direita e à esquerda, e uma gola cartonada e forrada do mesmo pano, conhecida por cabeção. A segunda era um capote, normalmente usado no inverno e como abafo de viagem, cujo corpo central cobria o corpo até aos calcanhares, fechando sobre o peito com um ou mais alamares de boa passamanaria, comportando uma murça entre os ombros e a linha dos cotovelos, e levando em torno do colarinho uma pequena golinha em veludo preto.
Um e outro foram usados em Portugal, confecionados por alfaiates que nem sempre tinham o requinte das alfaiatarias romanas. Na segunda metade do século XIX estes dois adereços foram por vezes substituídos por dois outros, o casacão assertoado à francesa (dito redingote) e o balandrau. Este último era uma túnica talar, de corpo amplo, comportando mangas e murça, avivado conforme o dignitário, e abotoando com alamares. Pelas imagens a que acedemos, o balandrau à portuguesa era ligeiramente menos complexo do que o espanhol especialmente no feitio da murça.

Galeria de imagens da capa de feitio italiano:
(na última imagem, Lizst com batina talar singela e capa de talhe simples)






Retrato do bispo de Viseu, D. António Alves Martins (1808-1882), com batina talar e balandrau de corte simplificado. O abafo distingue-se perfeitamente da batina. Sobre a mesa, a borla de Teologia, láurea obtida na FT/UC. Ficam dúvidas se seria em pano preto avivado a verde. Tudo indica que sim.

Imagens seguintes: indumentária do enxoval eclesiástico secular espanhol cujo uso se prolongou pela primeira metade do século XX, publicada in Ceremonia y Rubrica, http://liturgia.mforos.com/


Balandrau/balandran de um corpo talar em tecido preto, munido de carcela vertical frontal com caseado e botões planos forrados, mangas com pequeno canhão e murça de ombros. Em plano invisível, pela linha dos flancos, leva dois bolsos falsos. As bainhas são rematadas por pespontados à máquina e vivos pretos de cordãozinho de seda. A veste por debaixo do balandrau é uma batina talar.

A seguir, agasalhos comuns entre o clero secular católico europeu no século XIX e nos inícios do século XX. Espanha: batina com redingote/duleta/douillette (casacão assertoado à francesa) e batina com balandrau/baladran à espanhola, com vivos e murça gomada. O balandrau podia trazer-se vestido com os braços enfiados nas mangas ou deitado apenas pelos ombros com as mangas pendentes.


Um redingote monocromático de confeção recente, em preto integral, com gola de veludo (cf. duleta/douillette). O jogo de botões é de massa, sendo os clássicos forrados de tecido.

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