domingo, 7 de fevereiro de 2010

Suécia, Vaxjo Universitet, cerimónia de investidura de novos membros do corpo docente em Artes Liberais e Letras, Fevereiro de 2003
Nos últimos duzentos anos as universidades suecas não deram mostras de uso de vestes talares, tendo imperado desde finais do século XVIII a cartola forrada de seda e a grande casaca preta civil que era dado ver nas solenidades promovidas pelo Estado e academias científicas. Os reitores distinguiam-se pelo porte de um chapéu carmesim de abas, opa carmesim agaloada a ouro e grande colar.
As universidades e politécnicos suecos exerceram influência mais ou menos duradoura sobre os estabelecimentos de ensino superior escandinavos, pelo que a cartola e a casaca aparecem naturalizadas na Noruega, Dinamarca, Estónia e Finlândia. Na Dinamarca, este conjunto é complementado por um espadim, tradição comum às academias literário-científicas tributárias do paradigma franco-napoleónico. Na Finlândia, replicando a Universidade de Abo, os reitores usam um manto de veludo sobre a casaca preta.
Comum a todos os países escandinavos são também o boné dos estudantes (com e sem borla) e o facto de as professoras usarem vestido preto comprido e não grande casaca. Conforme já tive ensejo de salientar, desde o século XIX que a Universidade de Coimbra se aproximou fortemente da tradição vestimentária das universidades escandinavas, seja pelo facto de o hábito docente masculino ser uma casaca (pequeno uniforme), seja porque antes da década de 1950 as alunas e as professoras da dita instituição não envergavam o hábito talar.
Algo tem vindo a mudar paulatinamente nas universidades e politécnicos da Suécia, na passagem do século XX para o século XXI, ilustrando quantum statis a superação do paradigma abolicionista. Instituições como Lund, Malmo e Vaxjo encomendaram e passaram a usar togas. Outras lançaram-se na realização de cerimónias de formatura.
Na última década, o ateliê Bergdala Spinnhus idealizou e confeccionou projectos de hábitos talares para pelo menos quatro instituições de ensino superior, com Lund na fila da frente.
No caso da Vaxjo Universitet, o projecto contemplou uma toga preta, com motivos diferenciados para o reitor, vice-reitor, professores de carreira, professores eméritos e promotores. Nas costas da toga foi bordada a silhueta das suas torres da catedral de Vaxjo. Há notícia do uso deste trajo desde 2003. Do passado são mantidos a cartola e o anel.
Na foto supra vemos uma entrada de docentes em auditório em contexto de investidura (promotion). A toga preta é enriquecida com um longo epitógio em seda azul forte, cor da filosofia e das artes liberais. Outras cores foram consagradas como o verde para matemática e ciências e tecnologia.

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