terça-feira, 14 de junho de 2016

Retratos doutorais do Museo del Virreinato (México)



Retrato do cónego borlado e doutor em Cânones pela Real y Pontifícia Universidad (México) de Jacinto Olivera y Pardo (1662-1733), bispo de Chiapas (1712 e ss.).
Hábito episcopal, vendo-se em cima de uma mesa o barrete doutoral de quatro picos, forrado de preto, ornado com borla laureada, composta por franja de seda verde e florão sobreposto em capela de três níveis. Será um modelo manufaturado em finais do século XVII, ainda sem a capela floral barroca que vemos nalguma retratística de finais do século XVIII.
Tela existente no Museo del Virreinato, México, Mediateca/INAH, em linha


http://mediateca.inah.gob.mx/islandora_74/islandora/object/pintura%3A2270


Grande plano: barrete doutoral laureado com borla franjada e capela floral.





Retrato do bispo Andrés Ambrosio Lhanos y Valdés (1726-), formado em Retórica e Filosofia no seminário católico de  San José de Nueva Galicia, graduado in utroque iure (Cânones e Leis) pela Real y Pontifícia do México, reitor da mesma universidade. Veste hábito coral episcopal. Sobre mesa exibe a beca do seminário de San José e o barrete de graduado. Quadro a óleo datado de 1793. Dúvidas sobre as cores, que parecem ser vermelho (Leis) e azul (Filosofia).

Chapéus masculinos tibetanos usados em danças cerimoniais budistas. A chapelaria religiosa e política do Tibete/China atinge grande aparato no século XVIII, ostentando ornatos convergentes com soluções presentes nas insígnias universitárias iberoamericanas do período barroco.


 Retrato de Frei Antonio Claudio de Villegas de la Blanca (1700-1754), dominicano, qualificador a Santa Inquisição e bispo de Nueva Galicia. Era natural de Tialtelolco. Figura neste retrato com o hábito talar dominicano (túnica, escapulário, capelo e capa), exibindo na mão o barrete de mestre em Sagrada Teologia pela Real y Pontificia Univ. do México.
No grande plano podemos observar um bonete/barrete cartonado, forrado de pano preto de seda, com base redonda, encimado por quatro picos ou cornos que representam os quatro evangelistas e as quatro virtudes cardiais. Na parte central do barrete está atarraxada borla, com recurso a um parafuso metálico que atravessa verticalmente a copa e os bolbos da borla, tal e qual como nos chapéus cerimoniais dos mandarins e imperadores da China e nos barretes das universidades iberoamericanas. A borla é de seda branca, constituída por três partes complementares: a laurea de fiapos de seda, muito comprida, que desce da base da pega para a base do barrete em quatro fartas madeixas lisas (nos barretes barrocos a laurea ficava mais descida do que o rebordo inferior do barrete em cerca meio palmo); a pega ou maçaneta, formada por quatro bolbos de madeira afeiçoados num torno de carpinteiro, perfurados, forrados a fio de seda com agulhão e montados no parafuso, fechando superiormente com um florãozinho forrado; a capela floral, armada com três envoltas de florinhas forradas de fio de seda e dispostas em torno da pega. Na segunda metade do século XVIII o barrete da Real y Pontificia do Mexico ganhará um aparato barroco ultra ornamentado, semelhante às capelas exibidas por dançarinos em números da procissão do Corpo de Deus.
O retratado não exibe o capelo, por se tratar de um dignitário eclesiástico.
Na base de dados do INAH este retrato está trocado com o de Juan Pérez de la Serra.


 Dois exemplos de capelas florais armadas como florinhas artificiais (hastes, florinhas com quatro pétalas e corola), ornamentação aplicada nas coroas de prata do Divino Espírito Santo, ilha Terceira, Açores.

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