domingo, 3 de junho de 2018


O antigo traje corporativo do Colegio Mayor de Nossa Senhora do Rosário

Este colégio maior, com claustro docente, estudantes internos e licença para conferir graus em Teologia e Artes Liberais foi fundado em 1653 na cidade de Bogotá, Colombia, segundo o modelo dos colégios maiores da Universidade de Salamanca.
Os estudantes internos vestiriam hábito talar composto por loba de dois corpos, preta, e os das ordens religiosas ostentariam os hábitos prescritos nas respetivas regras.
Existem retratos de corpo inteiro dos reitores na sala dos atos. Nos séculos XVII, XVIII e inícios do século XIX eram os seguintes o traje corporativo e insígnias:
I - Hábito talar preto constituído por loba de dois corpos, uma sotaina de mangas estreitas e uma garnacha trapezoidal fechada, sem mangas, que se vestia pela cabeça. Alguns dos retratos reitorais documentaram as cavas para a saída das mangas e os punhos ornamentados com canhões de renda. Esta veste usava-se com e sem mantéu, sendo mais frequente o seu porte sem qualquer capa. Vestia-se sobre calções, meias pretas altas, polainas (no inverno) e camisa branca de colarinho raso. Em torno do pescoço inseria-se um colarinho branco, postiço, conhecido por volta branca.
Este traje era semelhante aos que se usavam nas universidades hispânicas da América, em Coimbra, Salamanca, Sevilha, Alcalá de Henares e outras universidades espanholas. Caído em desuso nos inícios do século XIX, apenas sobreviveria nos seminários católicos espanhóis e não em todos. Foi registado numa das suas últimas aparições em seminaristas do Seminario Mayor de Valencia, Espanha, por volta de 1960. A cor da sobreveste, conhecida em Espanha por manto, variava entre o preto, o castanho e o azul escuro.
II - beca de seda branca, que se assentava em V sobre os ombros, deixado pender as pontas até aos calcanhares. As becas antigas costumavam ter uma flor aberta numa das pontas, chamada rosca, cujo desenho era um tanto semelhante ao do epitógio francês. As cores variavam de escola para escola, mas as mais comuns eram o vermelho (rojo), o azul e o branco. A beca do CMNSR tinham um emblema bordado no lado esquerdo do peito com o símbolo da Ordem de Calatrava em linhas pretas.
Na década de 1950 a Tuna da Universidade de Salamanca parece ter recuperado a antiga beca, na cor científica de cada faculdade, com emblema bordado e pontas anormalmente curtas.
Em 1993 a Universidade Complutense recuperou esta insígnia, caída em desuso havia mais de cem anos, para a graduação da Infanta Cristina de Bourbon. Desde então muitas foram as universidades espanholas que integraram as becas de pontas curtas nas cerimónias de formatura.
A beca de pano vermelho foi usada em alguns seminários diocesanos portugueses e nos colégios reais e pontifícios de São Pedro e São Paulo da Universidade de Coimbra.
Diversos retratos de reitores, lentes e seminaristas hispano-americanos e espanhóis confirmam que as becas antigas tinham as pontas muito compridas, descendo até aos calcanhares.
A beca do CMNSR foi reformada no século XX, a nível do símbolo, mas ao contrário das espanholas continua a manter a tradição das pontas compridas. É usada hoje em dia por reitores e nas cerimónias de graduação da Universidade del Rosário.
III - Barrete preto de quatro picos, ornamentado com borla nas cores científicas das escolas onde o dignitário tinha adquirido a sua especialização. A maioria dos barretes dos reitores figura barretes pretos ornados com borlas constituídas por florões e franja de seda em branco (Teologia) e azul (Filosofia). No século XIX este barrete terá caído em desuso.


Retrato de corpo inteiro do Dr. Juaquín de León y Herrera (1712-1876), graduado em Teologia e Filosofia pelo CMNSR, galeria dos reitores da Universidad del Rosario, Bogotá, https://urartegrupo1.wordpress.com/page/2/. Foi lente de prima e catedrático de Filosofia no referido CMNSR, vice-reitor e reitor (1759-1763).

Volta branca aplicada sobre o colarinho da sotaina.

 Solidéu preto, próprio da condição de eclesiástico, que se usava mesmo com o barrete posto.

 Figuração das luvas e do punho da loba.

 Vista dianteira da beca com o símbolo da Ordem de Calatrava. Figuração da grande cava destinada à saída das mangas da sotaina.

O barrete colocado sobre credência e livros do conhecimento. Aspeto do florão barroco de quatro bolbos armado com segmentos de madeira revestidos de seda, nalguns casos com peças em ouro.

Retrato de corpo inteiro.

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