sábado, 25 de agosto de 2012

6 - Alegoria da água
Conjunto de seis figuras de vulto, cinco femininas e uma masculina, em azulejo polícromo assente na fachada principal de prédio sito no largo Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa. Trabalho da autoria do pintor ceramista Luís Ferreira (1807-1870), 1864, ligado à Fábrica Viúva Lamego. Ferreira muito possívelmente socorreu-se de ajudantes para levar a cabo o monumental trabalho encomendado. Terá utilizado gravuras francesas e italianas de iconologia que corriam impressas desde o século XVI em folhas volantes e encadernadas em tratados. Os autores mais completos, como C. Ripa, explicitavam o desenho, pormenorizando o tipo de figura a retratar, os atributos e o seu significado. Não sabemos de que fontes iconológicas se socorreu Ferreira, cuja encomenda segue um interessante e imaginativo programa ancorado nos valores do trabalho, produtividade, laicização e eventual adesão ao ideário maçónico.
As ninfas da Água (AQUA) eram conhecidas desde a sistematização da mitologia grega. Havia diferentes ninfas associadas à representação da água. Náiades para as nascentes dos rios, em Portugal conhecidas por mãe de água e olhos de água. Efidríades para a água em geral. Crineias e Pegeias para os rios. Nereides para águas marinhas, sendo os oceanos e mares representados por Poseidon/Neptuno. Ferreira opta por desenhar uma proposta compósita, ou seja, associa uma Efidríade com o cântaro jorrante a Neptuno (tritão e tridente).

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